O estado de Tamna ou Tamna-guk governou a Ilha Jeju desde tempos antigos até ser absorvido pela Dinastia Joseon em 1404. Este reino também é conhecido como Tangna (탕나), Seomna (섬나) e Tammora. Todos estes nomes significam "país insular".[1][2]
Não há registros históricos sobre a fundação ou história antiga de Tamna. Uma lenda diz que os três fundadores divinos do reino, Go (고), Yang (양) e Bu (부), emergiram de três buracos no chão no séc. XXIV a.C. Os buracos, conhecidos como Samseonghyeol (삼성혈), ainda são preservados na cidade de Jeju.[3][4]
De acordo com as lendas, após Yang Eulna (양을나/楊乙那)[5] ter ido à ilha Jeju, uma caixa semi-mística apareceu na costa da ilha. Yang Ul-la examinou o interior da caixa e encontrou três mulheres, cavalos, vacas e sementes, como arroz, painço, cevada e bambu. A partir disto, os três homens estabeleceram o Reino de Tamna. Ele é considerado o ancestral lendário de Yang Tang, o fundador do clã Yang de Jeju.[6][7]
Evidências arqueológicas indicam que o povo de Tamna comercializava ativamente com a Dinastia Han da China, com regimes do Japão do Período Yayoi, com nações do Sudeste Asiático, com o Império Chola e com a Coreia continental, desde o séc. I d.C. A primeira referência histórica ao reino provavelmente são do séc. III d.C., na crônica do período dos Três Reinos chineses chamada de Sanguozhi. O Sanguozhi relata um povo estranho vivendo numa grande ilha próxima à Coreia, que é chamada deJuho (州胡, literalmente "bárbaros insulares"). Esse povo. que tinha língua e cultura distintos, mantinham comércio com a Confederação Mahan da Coreia continental. Porém, a identidade de Juho como Tamna tem sido contestada por autoridades, como o estudioso norte-coreano Lee Ch'i-rin (이지린), que argumenta que Juho era uma pequena ilha no Mar Amarelo. Tamna é pronunciada como Dānluó em Mandarim padrão.
De acordo com o Samguk Sagi, Tamna iniciou uma relação tributária com Baekje, que controlava o sudeste da península coreana, em 476. Tamna provia auxílio militar e tributo, e gozava de fortes laços com o Japão. Enquanto Baekje declinava, Tamna se voltou a Silla. Em algum ponto próximo ao final do Período dos Três Reinos, Tamna oficialmente se subjugou a Silla. Silla então concedeu títulos aos três príncipes de Tamna, que os conservaram pelo resto da história do reino: Seongju (성주, 星主), Wangja (왕자, 王子) e Donae (도내, 都內). Algumas fontes indicam que isto ocorreu durante o reinado do Rei Munmu de SIlla, no final do séc XVII d.C.[1]
Tamna brevemente reclamou sua independência após a queda de Silla em 935. Porém, foi subjugado pela Dinastia Goryeo em 938, e foi oficialmente anexado em 1105. Apesar disto, o reino manteve autonomia local até 1404, quando Taejong de Joseon o colocou sob seu firme controle centralizado e deu um fim ao Reino de Tamna. Um evento interessante que ocorreu durante os últimos anos de Tamna foi a Rebelião Sambyeolcho, que teve um final sangrento na ilha Jeju, em 1274.
Alexander Vovin (2013)[8] nota que o antigo nome para a Ilha Jeju é tammura, que pode ser analisado em japonês como tani mura (たにむら; 谷村 'habitação no/do vale') ou tami mura (たみむら; 民村 'habitação do povo'). Assim, Vovin conclui que falantes de Línguas japônicas estavam presentes na ilha Jeju antes de serem substituídos por falantes de coreânico em algum momento antes do séc. XV.
Go (Ko) é o último nome dos reis que governaram Tamna, e o primeiro rei foi um dos três que emergiram da terra, de acordo com o mito. Seus descendentes se tornaram os futuros reis e governadores de Tamna.
↑Lee, Peter H.; de Bary, William Theodore: Sources of Korean Tradition, Volume I: From Early Times Through the Sixteenth CenturyNew York: Columbia University Press(1997), ISBN978-0-231-10567-5.
↑Il-yeon: Samguk Yusa: Legends and History of the Three Kingdoms of Ancient Korea, translated by Tae-Hung Ha and Grafton K. Mintz. Book Two. Silk Pagoda (2006). ISBN1-59654-348-5