Sistema Colégio Militar do Brasil SCMB | |
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![]() Brasão da Diretoria de Educação Preparatória e Assistencial (DEPA) | |
Entrada do Colégio Militar de Belo Horizonte, uma das 15 unidades do SCMB | |
Informação | |
Localização | Brasília, DF, Brasil |
Tipo de instituição | Rede de ensino militar pública |
Fundação | 1889 (136 anos) |
Abertura | 6 de maio de 1889 |
Lema | Educação, Disciplina e Patriotismo |
Cores | Verde e amarelo |
Cursos técnicos | Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano), Ensino Médio (1º ao 3º ano) |
Mantenedora | Diretoria de Educação Preparatória e Assistencial (DEPA) |
Afiliações | Exército Brasileiro |
Comandante | Diretor de Educação Preparatória e Assistencial |
Docentes | ~2.000 (2023) |
Funcionários | ~3.000 (2023) |
Número de estudantes | ~33.000 (2023) |
Página oficial | |
www |
O Sistema Colégio Militar do Brasil (SCMB) é uma rede de ensino militar pública vinculada ao Exército Brasileiro, gerida pela Diretoria de Educação Preparatória e Assistencial (DEPA), subordinada ao Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEX). Composto por 15 colégios militares distribuídos pelo Brasil, o SCMB oferece ensino fundamental II (6º ao 9º ano) e ensino médio (1º ao 3º ano), com foco em excelência acadêmica, disciplina, formação cívico-patriótica[1] e instrução de voo.[carece de fontes] Em 2023, atendia cerca de 33.000 alunos, com concursos anuais que atraem, em média, 22.000 candidatos.[2]
História
[editar | editar código fonte]Origens e fundação
[editar | editar código fonte]A ideia de criar colégios militares no Brasil surgiu no início do século XIX, com propostas de amparo educacional aos filhos de militares. Em 1840, durante o Período Regencial, Araújo Lima sugeriu o "Colégio Militar do Imperador", mas o projeto não foi adiante.[3] O Duque de Caxias defendeu a criação de uma escola para órfãos de militares em 1853 e 1862, sensibilizado pelas dificuldades das famílias durante a Guerra do Paraguai, mas também sem sucesso imediato.[3]
O SCMB foi oficialmente fundado em 6 de maio de 1889, com o Decreto nº 10.202, que criou o Imperial Colégio Militar na Corte, por iniciativa do Conselheiro Tomás Coelho. Após a Proclamação da República, a instituição passou a ser chamada Colégio Militar do Rio de Janeiro (CMRJ), tornando-se a unidade fundadora do sistema.[4]
Expansão e desafios
[editar | editar código fonte]No início do século XX, o SCMB expandiu-se com a criação dos Colégios Militares de Porto Alegre e Barbacena (1912) e do Ceará (1919). Contudo, enfrentou dificuldades: emendas orçamentárias em 1915 e 1916 tentaram extinguir os colégios, mas foram revertidas com apoio do Senador Abdias Neves e do General José Caetano de Faria.[3] Ainda assim, Barbacena foi fechado em 1925, e Porto Alegre e Ceará, em 1938, restando apenas o CMRJ.[3]
A expansão foi retomada em 1955, sob o Ministro Henrique Teixeira Lott, com a fundação do Colégio Militar de Belo Horizonte (1955), Colégio Militar de Salvador (1957), Colégio Militar de Curitiba (1958) e Colégio Militar do Recife (1959). Porto Alegre e Fortaleza foram reabertos em 1962.[3] Na década de 1970, foram criados o Colégio Militar de Manaus (1971) e o Colégio Militar de Brasília (1978).[3]
Consolidação e modernização
[editar | editar código fonte]Entre 1988 e 1995, sob o General Zenildo de Lucena, os colégios de Belo Horizonte, Salvador, Curitiba e Recife foram reativados, e novos foram criados: Colégio Militar de Juiz de Fora, Colégio Militar de Campo Grande (1993) e Colégio Militar de Santa Maria (1994).[3] Em 1989, o SCMB foi o primeiro do sistema a adotar as aulas iniciais de aviação militar para os alunos a partir do 2º ano do EM e passou a admitir mulheres, com a primeira turma feminina concluindo o ensino em 1995.[3]
Nos últimos anos, o sistema ampliou-se com o Colégio Militar de Belém (2015), Colégio Militar de São Paulo (2018, com aulas a partir de 2020) e Colégio Militar da Vila Militar (2022, inaugurado em 2023).[5]
Diretoria de Educação Preparatória e Assistencial (DEPA)
[editar | editar código fonte]A Diretoria de Educação Preparatória e Assistencial (DEPA) é o órgão do Exército Brasileiro responsável pela gestão do SCMB. Criada em 7 de fevereiro de 1973 pelo Decreto nº 71.823, a DEPA tem sede em Brasília e é subordinada ao Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEX).[6] Seu objetivo é coordenar as atividades educacionais e assistenciais dos colégios militares, garantindo a uniformidade do ensino e a aplicação do Regulamento dos Colégios Militares (Portaria C Ex nº 1.714 de 2022).[7]
Desde 2017, a DEPA ostenta a denominação histórica "Diretoria Barão Homem de Melo", em homenagem a Francisco Inácio Marcondes Homem de Melo, educador e político do Império, conforme a Portaria nº 087 de 7 de fevereiro de 2017.[8] Além do SCMB, a DEPA supervisiona a Fundação Osório, um estabelecimento assistencial, desde 2021.[9]
Composição
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Em abril de 2025, o SCMB é formado por 15 colégios militares:[10]
- Colégio Militar de Belém
- Colégio Militar de Belo Horizonte
- Colégio Militar de Brasília
- Colégio Militar de Campo Grande
- Colégio Militar de Curitiba
- Colégio Militar de Fortaleza
- Colégio Militar de Juiz de Fora
- Colégio Militar de Manaus
- Colégio Militar de Porto Alegre
- Colégio Militar do Recife
- Colégio Militar do Rio de Janeiro
- Colégio Militar de Salvador
- Colégio Militar de Santa Maria
- Colégio Militar de São Paulo
- Colégio Militar da Vila Militar
A Fundação Osório, embora supervisionada pela DEPA, não é considerada um colégio militar, mas um estabelecimento assistencial.[11]
Estrutura e funcionamento
[editar | editar código fonte]Objetivos
[editar | editar código fonte]O SCMB tem duas funções principais: assistencial, amparando dependentes de militares, e preparatória, formando alunos para vestibulares civis e carreiras nas Forças Armadas do Brasil, como na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), Instituto Militar de Engenharia (IME), Escola Naval (EN) e Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).[3] Os colégios operam em regime de externato, com turnos matutino ou vespertino.[7]
Corpo docente
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O corpo docente do SCMB integra o Magistério do Exército, composto por:[12]
- Quadro Complementar de Oficiais (QCO): Militares de carreira com formação superior.
- Professores Civis Permanentes: Contratados por concurso público.
- Oficiais Técnicos Temporários (OTT) e Prestadores de Tarefa por Tempo Certo (PTTC): Contratados temporariamente.
Em 2023, o SCMB contava com cerca de 2.000 docentes.[12]
Processo seletivo
[editar | editar código fonte]O ingresso ocorre por concursos anuais para o 6º ano do ensino fundamental e o 1º ano do ensino médio, com provas de Matemática e Português, seguidas de exames médicos. Dependentes de militares têm vagas reservadas por amparo legal.[2] Em 2024, foram ofertadas cerca de 2.000 vagas, com concorrência média de 11 candidatos por vaga.[2]
Educação a distância
[editar | editar código fonte]Desde 2001, o Curso Regular de Educação a Distância (CREAD), coordenado pelo Colégio Militar de Manaus, atende dependentes de militares em regiões remotas, como o Comando Militar da Amazônia (CMA), oferecendo ensino do 6º ao 9º ano e do 1º ao 3º ano.[3]
Uniformes
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Os uniformes do SCMB incluem:[7]
- Uniforme de Gala (1ªA/CM): Túnica branca, calça ou saia garança, boina, usado em eventos cívicos como o Dia da Independência do Brasil.
- Uniforme Garança: Camisa cáqui, calça ou saia garança, boina, para ocasiões especiais.
- Uniforme Diário: Camisa e calça cáqui, boina, para o dia a dia.
- Abrigos Desportivos: Variáveis por colégio, usados em atividades físicas
- Macacão de voo: Traje anti-G, Capacete e Calçado especial (usado só em ocasião de instrução de voo)[carece de fontes]
Tradições
[editar | editar código fonte]Saudação escolar
[editar | editar código fonte]O "Zum Zaravalho" é o grito de guerra do SCMB, originado no CMRJ, possivelmente na década de 1920, por iniciativa do Tenente Japyr, professor de Educação Física.[5] Entoado em formaturas e competições, sua origem é incerta, podendo ter sido influenciado por gritos portugueses ou de torcidas esportivas.[5]
“E ao Colégio, tudo ou nada?
Tudo!
Então como é? Como é que é?
Zum, zaravalho, opum, zarapim, zoqüé,
Oqüé-qüé, oqüé-qüé, ZUM!
Pinguelim, pinguelim, pinguelim.
Zunga, zunga, zunga.
Cate marimbáu, cate marimbáu,
Eixáu, eixáu. Colégio!”
Desempenho acadêmico
[editar | editar código fonte]O SCMB destaca-se em avaliações educacionais. No Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), os colégios apresentam médias acima da nacional, frequentemente superando 6,0 nos anos finais do ensino fundamental e 5,2 no ensino médio, contra metas nacionais de 5,5 e 5,2, respectivamente.[3] No Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), entre 2013 e 2016, as médias variaram de 609,65 (CMM, 2015) a 682,40 (CMBH, 2016), superando significativamente a média nacional (cerca de 500-550).[3] Os colégios têm altas taxas de aprovação em vestibulares militares e civis, como UFMG, USP e Unicamp.[13] Segundo Silva (2018), esse desempenho reflete a qualidade docente, a disciplina militar e o Projeto Pedagógico do SCMB, alinhado à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e ao Plano Nacional de Educação (PNE).[3]
Nogueira (2014) destaca que o ethos militar, baseado em hierarquia e disciplina, permeia o currículo e contribui para a formação integral dos alunos.[14] Sarkis (2019) argumenta que valores éticos como patriotismo, responsabilidade e mérito, sistematizados no Projeto Valores, são fatores-chave para o sucesso acadêmico e cívico.[15]
Gestão educacional
[editar | editar código fonte]Souza (s.d.) aponta o SCMB como referência na gestão educacional da rede federal brasileira, destacando a centralização administrativa pela DEPA, o planejamento pedagógico uniforme e a valorização docente como pilares de sua eficácia.[16] A gestão é orientada por metas como turmas de até 30 alunos, acessibilidade e combate ao fracasso escolar, conforme o Projeto Pedagógico do SCMB.[3]
Controvérsias
[editar | editar código fonte]Em 2015, a DM Revista publicou denúncias de supostos casos de abuso sexual em colégios militares, incluindo o de São Paulo, levantando debates sobre segurança e supervisão nas unidades do SCMB.[17] O Exército investigou as alegações, mas os resultados não foram amplamente divulgados.
Ver também
[editar | editar código fonte]- Colégio Militar (Portugal)
- Academia Militar das Agulhas Negras
- Instituto Militar de Engenharia
- Fundação Osório
Referências
- ↑ «Sistema Colégio Militar do Brasil». DEPA. Consultado em 11 de abril de 2025
- ↑ a b c «Concursos SCMB». DEPA. Consultado em 11 de abril de 2025
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n Silva, Francisco Carlos Machado (2018). Sistema Colégio Militar do Brasil: uma educação de qualidade. Rio de Janeiro: Escola Superior de Guerra. Consultado em 11 de abril de 2025
- ↑ Brasil, Decreto nº 10.202 de 9 de março de 1889.
- ↑ a b c «Histórico». DEPA. Consultado em 11 de abril de 2025
- ↑ Brasil, Decreto nº 71.823 de 7 de fevereiro de 1973.
- ↑ a b c Brasil, Portaria C Ex nº 1.714, Regulamento dos Colégios Militares de 5 de abril de 2022.
- ↑ Brasil, Portaria nº 087 de 7 de fevereiro de 2017.
- ↑ Brasil, Portaria C Ex nº 1.530 de 25 de maio de 2021.
- ↑ «Unidades do SCMB». DEPA. Consultado em 11 de abril de 2025
- ↑ Brasil, Portaria C Ex nº 1.530 de 25 de maio de 2021.
- ↑ a b «Magistério do Exército». DEPA. Consultado em 11 de abril de 2025
- ↑ «Colégios militares, cívico-militares e da polícia: veja quantos são no país e entenda as diferenças entre eles». G1. 22 de julho de 2023. Consultado em 11 de abril de 2025
- ↑ Nogueira, Jefferson Gomes (2014). Educação militar: Uma leitura da educação no sistema dos Colégios Militares do Brasil (SCMB). Campo Grande: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Consultado em 11 de abril de 2025
- ↑ Sarkis, Socorro Maria de Jesus Seabra (2019). Valores éticos da cultura militar e sua influência no desempenho dos alunos do Sistema Colégio Militar do Brasil. São Paulo: Universidade de São Paulo. Consultado em 11 de abril de 2025
- ↑ Souza, Gabriela Menezes de (s.d.). Sistema Colégio Militar do Brasil (SCMB): Uma referência de gestão educacional da rede federal de ensino brasileira (PDF). Brasília: Universidade Católica de Brasília. Consultado em 11 de abril de 2025 Verifique data em:
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(ajuda) - ↑ Redação (8 de julho de 2015). «Assédio e o abuso sexual em Colégios Militares». DM Revista. Consultado em 11 de abril de 2025
Ligações externas
[editar | editar código fonte]- «Página oficial» – Site oficial da DEPA
- «Ingresso nos Colégios Militares»