Gabinete Laval IV | |
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![]() Terceira República Francesa | |
1935-1936 | |
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Início | 07 de junho de 1935 |
Fim | 22 de janeiro de 1936 |
Duração | 7 meses e 15 dias |
Organização e Composição | |
Tipo | Governo de coalizão |
Presidente do Conselho de Ministros | Pierre Laval |
Presidente da República | Albert Lebrun |
Coligação | Partido Radical (PR), Aliança Democrática (AD), Radicais Independentes (RI), Federação Republicana (FR), Partido Socialista da França (PSdF) e União Socialista Republicana (USR) |
O Gabinete Laval IV foi o ministério formado por Pierre Laval em 07 de junho de 1935 e dissolvido em 22 de janeiro de 1936. Foi o 99º gabinete da Terceira República Francesa, sendo antecedido pelo Gabinete Bouisson e sucedido pelo Gabinete Sarraut II.
Contexto
[editar | editar código fonte]Responsável pela formação de um novo governo, Pierre Laval apresentou sua equipe ministerial completa ao Presidente da República, Albert Lebrun, em 07 de junho de 1935. O novo Presidente do Conselho de Ministros - que também manteve a pasta dos Negócios Estrangeiros - se utilizou da ideia de "unidade nacional" ao nomear radicais e moderados, embora seu governo fosse majoritariamente de centro-direita. No mesmo dia, a investidura do gabinete na Assembleia Nacional Francesa foi amplamente favorável: Laval obteve 392 votos a favor e apenas 119 contra. Contudo, seu pedido de poderes especiais foi concedido por uma pequena maioria, possibilitando a Laval governar por decretos-lei.[1]
O quarto governo de Laval implementou uma nova política de austeridade, com a redução por decreto dos preços de vários produtos e cortes na despesa pública a partir de julho. Essa política, adotada para trazer os preços franceses de volta ao nível dos principais parceiros comerciais da França não resultou como esperado, uma vez que o governo manteve a inflação ao cobrir o déficit orçamentário por meio da emissão de títulos do Tesouro que os assinantes redescontavam no Banco da França. Assim, a liquidez em circulação aumentava e estimulava a demanda interna, e a indústria precisava lidar com isso aumentando sua produção, enquanto, ao mesmo tempo, colheitas ruins e cotas de importação elevavam os preços agrícolas. Nesse período, o desemprego chegou a 11,5%. Durante o desfile de 14 de Julho de 1935, 500.000 manifestantes protestaram contra os decretos-lei de Laval, enquanto grupos de extrema-direita continuavam a se proliferar.[2]
Na política externa, as opiniões estavam divididas: a direita nacionalista defendia a conciliação diante das potências fascistas; a esquerda, antes pacifista, exigia firmeza diante de Adolf Hitler e Benito Mussolini. Após a Segunda Guerra Ítalo-Etíope, as sanções francesas e britânicas contra a Itália Fascista aproximaram ainda mais Roma de Berlim.[3]
Laval renunciou após a saída de seus ministros radicais e o crescimento eleitoral da "Frente Popular" (esquerda), sendo substituído por Albert Sarraut.[4]
Composição
[editar | editar código fonte]- Presidente da República: Albert Lebrun
- Presidente do Conselho de Ministros: Pierre Laval
- Ministro dos Estrangeiros: Pierre Laval
- Ministro da Justiça: Léon Bérard
- Ministro do Interior: Joseph Paganon
- Ministro da Guerra: Jean Fabry
- Ministro das Finanças: Marcel Régnier
- Ministro da Educação Nacional: Philippe Marcombes (1935); Marius Roustan (1935-1936)
- Ministro das Obras Públicas: Laurent Eynac
- Ministro da Agricultura: Pierre Cathala
- Ministro do Comércio e Indústria: Georges Bonnet
- Ministro dos Correios, Telégrafos e Telefones: Georges Mandel
- Ministro do Trabalho: Ludovic-Oscar Frossard
- Ministro das Pensões: Henri Maupoil
- Ministro da Saúde Pública e Educação Física: Ernest Lafont
- Ministro da Marinha: François Piétri
- Ministro do Ar: Victor Denain
- Ministro da Marinha Mercante: Marius Roustan (1935); William Bertrand (1935-1936)
- Ministro das Colônias: Louis Rollin
- Ministro de Estado: Édouard Herriot
- Ministro de Estado: Louis Marin
- Ministro de Estado: Pierre-Étienne Flandin
Realizações
[editar | editar código fonte]- Instituição de uma política de deflação.
Bibliografia
[editar | editar código fonte]- KUPFERMAN, Fred. Laval. Paris: Tallandier, 2006.
Referências
[editar | editar código fonte]- ↑ Bensoussan, Georges (1989). «Fred Kupferman, Laval (1883-1945), Collection Champs, 1988». Raison présente (1): 570. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ «Concordances Des Temps. L'Actualite Du Passe de Jean-Noël Jeanneney - Livro - WOOK». www.wook.pt. p. 150. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Cointet, Jean-Paul. «Pierre Laval». academic.oup.com. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ «Pierre Laval | French Prime Minister, Collaborator & Statesman | Britannica». www.britannica.com (em inglês). Consultado em 25 de maio de 2025