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Eloína dos Leopardos

Eloína dos Leopardos
Outros nomesEloína de Souza
Nascimento13 de maio de 1946 (79 anos)
Rio de Janeiro  Rio de Janeiro
Nacionalidadebrasileira
Ocupaçãoatriz

Eloína dos Leopardos, também conhecida por Eloína de Souza (Catumbi, Rio de Janeiro, 13 de Maio de 1946),[1] é uma atriz, coreógrafa, produtora e transformista brasileira. Em 1976, tornou-se a primeira rainha de bateria do carnaval carioca, posto que ocuparia até 1978.[2]

Em 2025, foi homenageada pela escola de samba Paraíso do Tuiuti, cujo enredo falou de Xica Manicongo, a primeira travesti não-indígena do Brasil. Eloína veio como destaque no último carro alegórico da escola, denominado "Traviarcado".[3]

Atualmente Eloína reside em São Paulo, onde trabalha como recepcionista no Bar da Onça.[2]

Eloína cresceu no bairro de Catumbi, zona central do Rio de Janeiro, onde foi criada por sua madrinha, Jacira. Conta que desde os 7 anos de idade já se identificava com o feminino, gostando de usar brincos e batom. Sua madrinha a apoiava, e não se deixou influenciar por quem dizia que aquilo não ia "dar boa coisa".[4]

Aos 14 anos, Eloína começou a trabalhar como camareira de vedetes no Teatro Carlos Gomes, e em 1966, com 21 anos, passou a apresentar-se como dançarina em casas noturnas de Copacabana, a convite do produtor Carlos Machado.[4] Neste período, teria sido uma das responsáveis por divulgar o naturismo, através de sua participação na peça Luz del Fuego, sobre a artista homônima que foi uma das pioneiras desta filosofia no Brasil.[5]

Vida em Paris

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Como outras transformistas, por conta da repressão da ditadura militar e em busca de uma melhoria de vida, Eloína acabou se mudando para Paris, onde havia a possibilidade de trabalhar em casas noturnas (como o Carrousel e o Madame Arthur) e de existir como travesti. O ano de sua chegada à capital francesa varia de acordo com a fonte consultada, mas teria ocorrido entre meados de 1969 e 1972.[4] Ela chegou lá sem falar francês, e tendo como referência apenas o endereço de um hotel por onde outras travestis brasileiras já haviam passado antes dela.[5]

Embora tenha ganho algum dinheiro em Paris, a maior parte dele foi gasto com a própria subsistência, procedimentos estéticos, e um guarda-roupa sofisticado, necessário para o desenvolvimento de sua carreira artística. Paris tornou-se uma segunda casa para Eloína, e nos próximos 30 anos, ela voltaria várias vezes à cidade.[5]

Rainha de bateria

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Já de volta ao Rio de Janeiro, em 1975 Eloína participou de um concurso num baile de carnaval, onde conquistou o segundo lugar vestindo apenas biquíni branco e penas de faisão. Sua performance chamou a atenção do figurinista Viriato Ferreira, que sugeriu ao carnavalesco Joãosinho Trinta que a contratasse para desfilar no Grêmio Recreativo Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis.[4]

Eloína revela que embora nunca tenha se considerado bonita, "era exuberante". Antes de oficializar o convite para que desfilasse à frente dos ritmistas da escola de samba, Joãosinho Trinta fez com que ela se despisse na frente dele, e só então declarou: "é você que eu quero!". No carnaval de 1976, ele a orientou para que se posicionasse à frente da bateria da Beija-Flor de roupão, e que só o retirasse quando o desfile começasse.[2] A apresentação foi um sucesso,[6] e com o enredo "Sonhar com Rei Dá Leão", a escola de samba foi a vencedora naquele ano.[4]

Eloína conta que ninguém sabia então que a rainha de bateria era uma travesti, e quando noticiaram no dia seguinte ao desfile, "foi um escândalo". Como o cargo passou a ser muito disputado, ela ainda conseguiria mantê-lo até 1978, sendo posteriormente substituída por uma passista tradicional da Beija-Flor, Sônia Capeta,[2] a qual reinou durante 22 anos à frente da bateria.[7]

Teatro e cinema

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Em 1987, produziu o espetáculo erótico "A Noite dos Leopardos", com homens realizando striptease; a peça se manteria em cartaz ininterruptamente até 1997, e chegou a ser apresentada em Portugal, Espanha, Itália e Estados Unidos. Em 1992, durante a turnê de "The Girlie Show" no Brasil, Madonna teria mandado fechar a Galeria Alaska no Rio de Janeiro, onde o show era apresentado, para uma exibição exclusiva. Data desta época o pseudônimo de "Eloína dos Leopardos", pelo qual é mais conhecida hoje.[4]

Entre 2000 e 2014, Eloína integrou o elenco do espetáculo musical Divinas Divas, no Teatro Rival do Rio de Janeiro, ao lado de Rogéria, Divina Valéria, Camille K, Marquesa, Brigitte de Búzios e Fujika de Hallyday, com quem havia formado um grupo musical no mesmo teatro, durante a década de 1970.[8] Em 2016, o espetáculo foi transformado num documentário por Leandra Leal, com todo o elenco original.[4]

A obra, que estreou comercialmente em 2017, ganhou vários prêmios, inclusive o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, o Prêmio Félix,[9] e venceu como Melhor Documentário no Festival do Rio, edição 2016.[4]

Em 2020, Eloína apresentou-se pela primeira vez no Theatro Municipal de São Paulo com a peça Divinas Divas – Verão Sem Censura, ao lado de Jane di Castro, Divina Valéria, Camille K, Marcia Dailyn e Divina Núbia.[5][10]

Em 2021, recebeu o Prêmio Cláudia Wonder na 9ª edição da SP TransVisão.[5][11]

Referências

  1. «Você sabia? Primeira rainha de bateria da história do Carnaval é uma mulher trans; conheça Eloina dos Leopardos». Marie Claire. 11 de fevereiro de 2024. Consultado em 10 de junho de 2025 
  2. a b c d Ferreira, Leonardo (20 de fevereiro de 2025). «Travesti que foi a primeira rainha de bateria virá como destaque, garante escola: conheça sua história». Extra. Consultado em 3 de junho de 2025 
  3. Muniz, Livia (5 de março de 2025). «5 momentos do desfile histórico da Tuiuti no Carnaval do Rio». Revista Híbrida. Consultado em 3 de junho de 2025 
  4. a b c d e f g h Gonçalves, Maria Eugênia. «Eloína dos Leopardos, a primeira rainha de bateria do Carnaval». Revista Híbrida. Consultado em 3 de junho de 2025 
  5. a b c d e Gomes Junior, Emilson. «Eloína dos Leopardos (1937 – presente)». Memória Feminista Antirracista. Consultado em 3 de junho de 2025 
  6. «Eloína – A heroína do arco-íris». SRzd. 28 de junho de 2021. Consultado em 4 de junho de 2025 
  7. Cipriano, Renato (14 de novembro de 2024). «Sônia Capeta: A eterna rainha da Beija-Flor que brilha e inspira gerações no carnaval». Cosmopolitam. Consultado em 4 de junho de 2025 
  8. «Divinas Divas, mais uma história de resistência». Teatro Rival PETROBRAS. 25 de maio de 2020. Consultado em 4 de junho de 2025 
  9. «Documentário com maior público nos cinemas do Brasil em 2017». DAZA Filmes. Consultado em 4 de junho de 2025 
  10. «Robson Catalunha dirige musical em São Paulo». Jornal Cruzeiro. 28 de janeiro de 2020. Consultado em 4 de junho de 2025 
  11. «Emoção e talento artístico marcam abertura da 9ª SP TransVisão com colaboradoras da escola». SP Escola de Teatro. 1 de fevereiro de 2021. Consultado em 4 de junho de 2025 

Ligações externas

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