Galeria Alaska Galeria Atlântica | |
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Galeria Alaska, em Copacabana (2012). | |
Informações gerais | |
Construção | 1951 |
Geografia | |
Cidade | Rio de Janeiro |
A Galeria Alaska é uma galeria inaugurada em 1951 e localizada no condomínio homônimo, na Av. Atlântica, Posto 6, Copacabana, Rio de Janeiro, Brasil; atualmente, é denominada Galeria Atlântica.[1]
Características
[editar | editar código fonte]A galeria é uma passagem de cerca de 100 m de comprimento, que une as duas principais avenidas de Copacabana: a Nossa Senhora de Copacabana, onde está localizada a entrada principal, e a avenida Atlântica. Foi pensada dentro do conceito de galeria comercial parisiense, com um corredor largo ladeado por lojas em ambos os lados.[1]
Os elevadores que dão acesso ao condomínio ficam no meio da galeria, o que, segundo a mídia da época, era motivo de embaraço para as famílias de classe média que residiam no local, as quais não tinham como escapar do contato com a "clientela especial" que frequentava o espaço à noite.[1]
Histórico
[editar | editar código fonte]Na sua inauguração, em 1951, a galeria era a primeira no seu gênero no bairro, e apresentava lojas de "comércio fino", além de bares e restaurantes. A primeira boate, O Perroquet, e o primeiro cinema (Royal) foram inaugurados em 1952. No ano seguinte, foi inaugurado o cinema Alaska,[1] que possuía a importante característica de ter as cadeiras dispostas em anfiteatro (ou seja, com visão desimpedida da tela).[2]
A partir de 1958, a mídia começou a reportar um processo de marginalização do espaço, com a presença de menores de rua que praticavam pequenos furtos, e a existência de "bares suspeitos" frequentados por "pervertidos" e "delinquentes". Nos anos 1960, começam a ser destaque os shows de transformistas que caracterizariam a galeria, particularmente na boate Stop,[1] onde se apresentava a travesti Rogéria.[3]
A partir de meados dos anos 1960, o entorno da Alaska tornou-se conhecido pelo crescimento e pela agitação da sua vida noturna, e também por crimes, inclusive de morte, ocorridos tanto na galeria quanto em apartamentos do condomínio. Em fevereiro de 1973, por exemplo, ganhou destaque nos jornais o assassinato do jogador de futebol Almir Pernambuquinho, após uma briga na porta do bar Jerez.[1]
Em 1976, eram destaque na galeria as "duas boates mais movimentadas do Rio", a Katakombe, que segundo a mídia, só receberia turistas,[1] e a Sótão, inaugurada em julho de 1970,[3] e considerada "templo do gay power local",[1] que recebeu neste ano a visita do cantor Mick Jagger. No final dos anos 1970, o cinema Alaska foi transformado no Teatro Alaska, onde, em fins da década seguinte, entraria em cartaz um dos mais longevos espetáculos da galeria, "A Noite dos Leopardos", sob o comando da transformista Eloína de Souza (posteriormente, Eloína dos Leopardos).[1]
Na década de 1990, depois dos estragos provocados pela AIDS, a galeria entrou em decadência e mudou novamente de perfil.[4] Uma igreja evangélica alugou o cinema sobrevivente e depois passou a ocupar o próprio Teatro Alaska, afugentando os antigos frequentadores.[1]
"A Galeria do Amor"
[editar | editar código fonte]Em 1975, o cantor Agnaldo Timóteo teve a ousadia de compor e gravar em plena ditadura militar uma canção com temática homossexual, "A Galeria do Amor", onde retrata a Galeria Alaska como um lugar de "emoções diferentes" e "onde gente que é gente se entende". Segundo narrou posteriormente, a letra da música fala de uma experiência real, ocorrida com ele naquele espaço.[1][5]
Avalia-se que, como a música não utiliza termos ou faz qualquer alusão direta ao universo gay, pode ter conseguido enganar não somente a censura mas até fãs do cantor, que desconheciam a galeria citada e o público que a frequentava à noite.[1]
Reabertura do Teatro Alaska
[editar | editar código fonte]Em junho de 2025, foi sugerido que a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro adquirisse o Teatro Alaska, posto à venda por R$ 9 milhões, como forma de resgate cultural e histórico do espaço para a comunidade LGBTQIAPN+.[6]
Filmografia
[editar | editar código fonte]O entorno da galeria e seus frequentadores foi retratado no curta-metragem Galeria Alaska (1980), de José Joffily.[7]
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k l Oliveira Cardoso, Sílvia; Leal Machado, Heitor (2015). «'A Galeria do Amor': Cidade, corpo e emoções na música de Agnaldo Timóteo» (PDF). Ciberlegenda (33): 32-44. Consultado em 10 de junho de 2025
- ↑ «Cinemas de Copacabana e Leblon». copacabana.com. Consultado em 10 de junho de 2025
- ↑ a b «Descubra a Essência do Rio - Agenda Bafafá». Rio Relax. Consultado em 10 de junho de 2025
- ↑ «Boate Sótão». Rio Memórias. Consultado em 10 de junho de 2025
- ↑ «Como Agnaldo Timóteo cantou o amor gay em plena ditadura militar». Volume Morto. 3 de abril de 2021. Consultado em 10 de junho de 2025
- ↑ Oliva de Carvalho Rêgo, Carlos Eduardo (17 de junho de 2025). «Da possível aquisição pública do Teatro Alaska». jus.com.br. Consultado em 22 de julho de 2025
- ↑ «Curta Sequencia - Galeria Alaska». Curta!. Consultado em 10 de junho de 2025