Túnel Américo Simas | |
Informação | |
Tipo | túnel urbano |
Trecho | Avenida Vale de Nazaré |
Cruza | Rua Direita de Santo Antônio Falha Geológica de Salvador |
Localização | |
Localização | Salvador, Bahia, Brasil |
Coordenadas | |
Histórico | |
Início da construção | 1952 |
Abertura | 30 de janeiro de 1967 (58 anos) |
Especificação | |
Galeria | única |
Vias | 2 faixas/sentido |
Largura | c. 300 m |
O Túnel Américo Simas é uma obra de engenharia e via pública localizada em Salvador, município capital do estado brasileiro da Bahia. É o túnel mais movimentado da cidade,[1][2] atravessando a Falha Geológica de Salvador para conectar Cidade Alta e Cidade Baixa, interligando o Porto de Salvador e o resto do bairro do Comércio e o bairro da Calçada de um lado e, do outro, o Terminal do Aquidabã e o bairro de Nazaré a partir da Avenida Vale de Nazaré (Avenida Presidente Castelo Branco).[3][4][5] Em seus cerca de 300 metros de extensão estão desenhadas quatro faixas de tráfego em sentido duplo, duas em cada.[1] Além disso, está na área de influência do projeto do Sistema Viário Oeste (SVO), do qual forma parte a Ponte Salvador–Ilha de Itaparica.[6]
Sua criação tem a ver com o desenvolvimento econômico e urbano da cidade, que tornou as ladeiras insuficientes ao trânsito de veículos terrestres entre os dois planos da cidade, sobretudo pelas pistas sinuosas e estreitas delas,[1] a exemplo da Água Brusca, Misericórdia, Montanha, Preguiça. A ideia de 1858 para um túnel entre as Hortas do Carmo e os Coqueiros d’Água de Meninos foi aprovada com modificações pelo Presidente da Província da Bahia em 1866.[7] Com o transporte por bondes na cidade, tanto a empresa Cantanhede & Cia Engenheiros – Empreiteiros quanto a Companhia Trilhos Centrais disputaram pela construção em área similar (entre Fonte dos Padres e Baixa dos Sapateiros).[7] Em nenhuma das duas oportunidades, não houve concretização da ideia.[7]
Assim, dentre várias outras propostas elaboradas, destacou-se a apresentação do engenheiro Américo Furtado de Simas na Semana de Urbanismo de outubro de 1935 de um projeto completo de túnel para circulação entre os dois planos de Salvador, o que lhe rendeu posteriormente a homenagem no nome da via.[1] A construção, porém, foi assumida pela Prefeitura Municipal de Salvador apenas na gestão de Osvaldo Velloso Gordilho (1950-1954), tendo ali seu início em 1952, mas não seu final, já que a inauguração foi feita pela gestão de Nelson Oliveira em 30 de janeiro de 1967.[1][7] Assim, foram 14 anos de construção do túnel, perfurando 15 metros de rocha na altura da Rua Direita de Santo Antônio, na Cidade Alta, para alcançar a Avenida Frederico Pontes, na Cidade Baixa.[1] Em 27 de abril de 1971, houve deslizamento de terra no túnel em virtude de chuvas acima da média por três dias seguidos e outras causas geológicas, que resultou no abalo de moradias da Rua Joaquim Távora, danos ao frigorífico da CASEB e interdição temporária do túnel.[8][9] O já ex-prefeito Godilho publicou em 1989 um livro dedicado à história dessa obra de engenharia.[1]
Em 2007, o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia da Bahia (CREA-BA) apontou problemas na segurança do túnel em função de construções desordenadas, desmatamento irregular, falta de esgotamento sanitário adequado e presença de infiltrações em uma área de falha geológica, que é inerentemente instável, ainda que inativa.[10] Em 2015, foram noticiados problemas na iluminação pública e limpeza urbana do túnel.[2] Em 2018, a terceira edição do estudo “Infraestrutura de Salvador: Prazo de validade vencido”, realizado pelo Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (SINAENCO), classificou o estado de conservação como ruim, dada a falta de manutenção periódica e as colisões de veículos mais altos que o permitidos com o teto do túnel, expondo ferragens do mesmo e sujeitando-as à corrosão.[11] Em 2024, estruturas de ferro estavam expostas no teto do túnel podendo prejudicar veículos altos.[4]
Ver também
[editar | editar código fonte]Referências
- ↑ a b c d e f g Reis, Antonio Carlos Nogueira (1 de janeiro de 2023). «A IMPORTÂNCIA DO TÚNEL AMÉRICO SIMAS». UNIFACS. Direito UNIFACS - Debate Virtual (271). ISSN 1808-4435. Consultado em 21 de abril de 2025
- ↑ a b Lima, Rayllanna (14–15 de novembro de 2015). «Túnel Américo Simas às escuras» (PDF). Tribuna da Bahia: 9. Consultado em 21 de abril de 2025
- ↑ Redação BNews (25 de junho de 2018). «Incêndio na Calçada prejudica trânsito na saída do Américo Simas». Bnews. Consultado em 21 de abril de 2025
- ↑ a b Rego, Bernardo (12 de março de 2024). «Túnel Américo Simas apresenta estrutura danificada causando prejuízos aos caminhões; assista». Bnews. Consultado em 21 de abril de 2025
- ↑ Redação (23 de fevereiro de 2024). «Trânsito trava no Aquidabã após engavetamento bloquear túnel Américo Simas». www.correio24horas.com.br. Consultado em 21 de abril de 2025
- ↑ Cruz, Robson Caldeira (29 de maio de 2015). Análise e modelagem de um sistema ambiental sob a influência de ruído de tráfego rodoviário (Dissertação de mestrado). Universidade Federal de Minas Gerais. Consultado em 21 de abril de 2025
- ↑ a b c d Santiago, Cybèle Celestino; Cerqueira, Karina Matos de Araújo F. (2019). Sobre arcos e bondes: resgatando a memória urbana de Salvador. [S.l.]: EDUFBA. Consultado em 21 de abril de 2025
- ↑ Silva, João Carlos Baptista Jorge da (7 de dezembro de 2022). «SOLOS GRAMPEADOS - COMPRIMENTOS MÁXIMOS DE GRAMPOS NOS SOLOS A LESSE DA FALHA DE SALVADOR (BA)». Sitientibus (35). ISSN 2595-8305. doi:10.13102/sitientibus.vi35.7811. Consultado em 21 de abril de 2025
- ↑ MANHAES SILVA, CAROLINA (2018). AVALIAÇÃO DO MECANISMO DE RUPTURA DE ENCOSTA DO SANTO ANTÔNIO ALÉM DO CARMO, SALVADOR, BA (Dissertação de Mestrado). Rio de Janeiro: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. doi:10.17771/pucrio.acad.36116. Consultado em 21 de abril de 2025
- ↑ Tribuna da Bahia (29 de outubro de 2007). «Crea-BA alerta para riscos em túnel de Salvador». Conselho Federal de Engenharia e Agronomia. Salvador. Consultado em 21 de abril de 2025
- ↑ Fonsêca, Adilson (8 de fevereiro de 2018). «Queda de viaduto no DF alerta para os de Salvador». Salvador. Tribuna da Bahia. Consultado em 21 de abril de 2025
Bibliografia
[editar | editar código fonte]- Gordilho, Osvaldo Velloso (1989). O túnel no tempo: a história do túnel Américo Simas. [S.l.]: Ed. do Autor. Consultado em 21 de abril de 2025