Rio Atibaia
| |
---|---|
Rio Atibaia, no município de Paulínia, São Paulo | |
Comprimento | 165 km |
Nascente | Bom Jesus dos Perdões |
Caudal médio | 31 m³/s |
Foz | Rio Piracicaba, no município de Americana |
Área da bacia | 2 931 km² |
Afluentes principais |
Rio Cachoeira, Rio Atibainha |
País(es) | Brasil |
País da bacia hidrográfica |
Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai |
O Rio Atibaia é um curso d'água brasileiro localizado no estado de São Paulo, integrante da bacia hidrográfica do Rio Piracicaba, que compõe o grupo das Bacias PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí). Sua nascente ocorre no município de Bom Jesus dos Perdões, formada pela confluência dos rios Atibainha e Cachoeira, ambos parte do Sistema Cantareira, e deságua no Rio Piracicaba, em Americana, após percorrer 165 km.[1][2]
Características
[editar | editar código fonte]O rio Atibaia é formado no município paulista de Bom Jesus dos Perdões pela junção dos rios Atibainha e Cachoeira, logo após os reservatórios Atibainha e Cachoeira que fazem parte do Sistema Cantareira, sendo que as nascentes do rio Cachoeira encontram-se no estado de Minas Gerais. Em certos trechos, o rio tem 20 metros de profundidade e 11 metros de largura.
O rio Atibaia abastece 75% da população da cidade de Atibaia, onde se encontra a Represa Usina de Atibaia, e também 95% da população da cidade de Campinas, entre outras. Jundiaí possui uma outorga para bombear água do rio Atibaia durante a estiagem. Na altura da cidade de Americana[3], logo após passar por Paulínia, encontra-se a Usina Hidrelétrica Salto Grande[4], formando a represa com mais de 8 km2 de área inundada. Logo após a jusante da usina o rio Atibaia junta-se ao rio Jaguari para formar o Rio Piracicaba.[5]
Etimologia
[editar | editar código fonte]Seu nome é de origem tupi, Tybaia, sendo TY - baia (ou aia), que significa rio manso, de águas tranquilas, abundantes, agradáveis ao paladar. Até chegar ao nome Atibaia, o vocábulo passou por várias modificações: Thibaia, Atubaia, Thibaya, mas o significado continuou o mesmo, "manancial de água saudável".
Geografia
[editar | editar código fonte]Extensão e curso
[editar | editar código fonte]O rio Atibaia percorre 165 km, desde sua formação em Bom Jesus dos Perdões até a foz no Rio Piracicaba. Seu curso atravessa regiões de relevo variado, incluindo áreas serranas próximas à Serra da Mantiqueira e planícies aluviais em municípios como Campinas e Americana.[1][2]
Bacia hidrográfica
[editar | editar código fonte]A sub-bacia do Atibaia abrange 2.931 km², distribuídos entre São Paulo e Minas Gerais, e integra a Bacia do Rio Piracicaba. A região abriga 1,1 milhão de habitantes, com densidade populacional de 394,38 hab./km², concentrados em municípios como Campinas, Atibaia e Paulínia.[6][2]
Afluentes e sub-bacias
[editar | editar código fonte]Seus principais afluentes são o Rio Jaguari, com o qual se une para formar o Piracicaba, e ribeirões como o Anhumas, que recebe efluentes tratados de estações de Campinas e Paulínia.[7] A sub-bacia do Atibaia inclui áreas de preservação ambiental, como a APA Piracicaba/Juqueri-Mirim, e reservatórios estratégicos, como o Sistema Cantareira.[1][2]
Hidrologia
[editar | editar código fonte]Vazão e regime hídrico
[editar | editar código fonte]A vazão média do rio é de 31 m³/s, com uso predominante para abastecimento urbano (5,02 m³/s), seguido por demanda industrial (3,26 m³/s) e agrícola (1,62 m³/s).[6] O regime hídrico é influenciado por chuvas sazonais, com períodos de estiagem crítica, como em 2014-2015, quando a disponibilidade hídrica na região das Bacias PCJ atingiu níveis alarmantes.[8]
Qualidade da água
[editar | editar código fonte]As águas do Atibaia são classificadas como Classe 1 (nascentes) e Classe 2 (trechos urbanos), conforme legislação estadual.[1] Em 2022, sete dos nove pontos de monitoramento da CETESB apresentaram Índice de Qualidade da Água (IQA) "Bom", enquanto dois pontos registraram classificação "Regular" [8] Contudo, durante a seca de 2014-2015, trechos do rio tiveram IQA classificado como "Ruim", reflexo da redução de vazão e aumento da concentração de poluentes.[8]
Eutrofização
[editar | editar código fonte]O reservatório da Usina Salto Grande, em Americana, apresenta variação de estados entre eutrófico a hipereutrófico, com altos níveis de fósforo e matéria orgânica. A proliferação de aguapés e a redução de oxigênio dissolvido afetam a biodiversidade, especialmente de bentos (organismos que vivem no substrato de ambientes aquáticos), com declínio de espécies como Chironomidae.[9][7]
Importância socioeconômica
[editar | editar código fonte]Abastecimento público
[editar | editar código fonte]O Atibaia é responsável por 93,5% do abastecimento de Campinas e abastece parcialmente municípios como Valinhos e Vinhedo.[2] Além disso, contribui com 9 m³/s de água para o Sistema Cantareira, crucial para a Região Metropolitana de São Paulo.[6]
Geração de energia
[editar | editar código fonte]A Usina Hidrelétrica Salto Grande, inaugurada em 1949, possui capacidade instalada de 72 MW e forma um reservatório de 8 km². Apesar de sua importância energética, o lago sofre com eutrofização e acumulação de sedimentos, exigindo intervenções contínuas para remoção de aguapés.[9][7]
Agricultura e indústria
[editar | editar código fonte]A bacia abriga atividades agrícolas como cultivo de cana-de-açúcar, milho e flores, além de indústrias de papel, química e petroquímica. O uso de água para irrigação e processos industriais representa 1,62 m³/s e 3,26 m³/s, respectivamente, pressionando os recursos hídricos.[6][10]
Problemas ambientais
[editar | editar código fonte]Poluição urbana e industrial
[editar | editar código fonte]Apenas 52% do esgoto doméstico na bacia recebe tratamento, e efluentes industriais carregam metais pesados e compostos fenólicos. Fungos como Penicillium e Aspergillus, isolados no rio, são estudados para biorremediação devido à resistência a ambientes contaminados.[10][7]
Desmatamento e fragmentação
[editar | editar código fonte]A vegetação nativa ocupa 27,7% da bacia, mas está fragmentada em 1.368 remanescentes, muitos menores que 50 hectares. Apenas 20,14% dessas áreas possuem núcleos preservados, limitando sua capacidade de conservação da biodiversidade.[2][7]
Gestão de recursos hídricos
[editar | editar código fonte]O Plano das Bacias PCJ 2020-2035 estabeleceu metas para Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) em municípios prioritários, como remoção de 90% de nitrogênio e 95% de fósforo até 2035 em Paulínia. Campinas modernizou estações como a ETE Anhumas, com tecnologias de reuso para reduzir impactos.[8][7]
Gestão e conservação
[editar | editar código fonte]Iniciativas de recuperação
[editar | editar código fonte]Projetos como o Entre Serras e Águas, da Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo, visam ao desenvolvimento sustentável na região da Rodovia Fernão Dias. Ações incluem reflorestamento de APPs e controle de erosão.[1][7]
Legislação e políticas públicas
[editar | editar código fonte]O enquadramento do rio segue a Resolução CONAMA nº 357/2005, com metas de qualidade vinculadas ao Plano de Bacias PCJ. Municípios como Campinas e Paulínia priorizam a remoção de nutrientes em ETEs, alinhadas a acordos com o Ministério Público.[8][7]
Referências
- ↑ a b c d e Estudos preliminares para o uso de índices biológicos no biomonitoramento de ambientes aquáticos continentais – riachos e corredeiras na bacia hidrográfica do rio Atibaia. (PDF) (Relatório). CETESB. Agosto de 2002. pp. 1–5. Cópia arquivada (PDF) em 15 de abril de 2024
- ↑ a b c d e f Silva, Alessandra Leite da; Longo, Regina Márcia (1 de dezembro de 2020). «Ecologia da paisagem e qualidade ambiental de remanescentes florestais na sub-bacia hidrográfica do Rio Atibaia dentro do município de Campinas-SP». Ciência Florestal (4): 1176–1191. ISSN 1980-5098. doi:10.5902/1980509842640. Consultado em 17 de maio de 2025
- ↑ «Americana - Hidrografia». Prefeitura de Americana - Site Oficial. Consultado em 13 de março de 2019
- ↑ «CPFL Renováveis - Portfólio». www.cpflrenovaveis.com.br. Consultado em 13 de março de 2019
- ↑ «Atibaia São Paulo». Portal de Atibaia. Consultado em 13 de março de 2020
- ↑ a b c d Demanboro, Antonio Carlos; Laurentis, Guilherme Lucas; Bettine, Sueli do Carmo (março de 2013). «Cenários ambientais na bacia do rio Atibaia». Engenharia Sanitaria e Ambiental: 27–37. ISSN 1413-4152. doi:10.1590/S1413-41522013000100004. Consultado em 16 de maio de 2025
- ↑ a b c d e f g h Profill-Rhama, Consórcio (15 de setembro de 2020). PCJ, Comitês PCJ/Agência das Bacias, ed. Plano De Recursos Hídricos Das Bacias Hidrográficas Dos Rios Piracicaba, Capivari E Jundiaí 2020 a 2035: Relatório Final. Piracicaba, SP: Agência Das Bacias Pcj. 758 páginas. ISBN 978-65-88688-01-4. Consultado em 17 de maio de 2025
- ↑ a b c d e Rocha, Rodrigo Esteves (2024). Geoquímica de sedimentos fluviais e sua relação com o fracionamento de fósforo em águas de abastecimento de Campinas, SP (Dissertação). Universidade Estadual de Campinas. 132 páginas
- ↑ a b Dornfeld, Carolina Buso; Espíndola, Evaldo L. G.; Leite, Maurício Augusto (2005). «Avaliação da Eutrofização e sua Relação com Chironomidae no rio Atibaia e Reservatório de Salto Grande (Americana, SP – Brasil)» (PDF). Revista Brasileira de Recursos Hídricos. 10 (3): 53-62. Consultado em 16 de maio de 2025
- ↑ a b Conceição, D. M.; Angelis, D. A. de; Bidoia, E. D.; Angelis, D. de F. de (1 de abril de 2021). «Fungos filamentosos isolados do Rio Atibaia, SP e refinaria de petróleo biodegradores de compostos fenólicos». Arquivos do Instituto Biológico. 72 (1): 99–106. ISSN 0020-3653. doi:10.1590/1808-1657v72p0992005. Consultado em 17 de maio de 2025