Nelma Kodama | |
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Nome completo | Nelma Mitsue Penasso Kodama |
Nascimento | 12 de outubro de 1966 (58 anos) Taubaté, SP |
Nacionalidade | brasileira |
Ocupação | empresária |
Nelma Kodama | |
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Crime(s) | evasão de divisas, operação de instituição financeira regular, corrupção ativa e pertinência a organização criminosa[1] |
Pena | 18 anos [1] |
Situação | colaboradora (revogado)[2], pena anulada pelo indulto presidencial em 2019.[1] |
Nelma Mitsue Penasso Kodama (Taubaté, 12 de outubro de 1966) conhecida como "Dama do Mercado"[3] é uma empresária e doleira brasileira. Descendente de italianos e japoneses,[4] ficou conhecida ao tentar embarcar com 200 mil euros no aeroporto de Guarulhos, sendo presa em flagrante pela Polícia Federal.[5]
Nelma foi denunciada, presa em 2014 e condenada em 2015 no esquema de corrupção da Petrobras, investigado pela força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF), na Operação Lava Jato pelos crimes de evasão de divisas, corrupção ativa e organização criminosa.[1][5]
Em 20 de junho de 2016 foi solta, passando para prisão domiciliar após firmar acordo de delação premiada com o MPF.[6]
Em 2017 foi beneficiada pelo indulto natalino do presidente Michel Temer e teve a pena extinta, e em agosto de 2019 foi concedido pela justiça a remoção da tornozeleira eletrônica.[2] Voltou a ser presa em abril de 2022 suspeita de tráfico internacional de drogas,[7] e em abril de 2023 teve o acordo de delação revogado em razão do descumprimento dos termos de não voltar a cometer atividades criminosas.[2]
CPIs
[editar | editar código fonte]dos Bingos
[editar | editar código fonte]Sua atuação como doleira foi revelada em 2006, na CPI dos Bingos, pelo doleiro Antonio Claramunt, o Toninho Barcelona, que a apontou como responsável por operações em dólar para o PT na época em que Celso Daniel, assassinado em 2002, era prefeito de Santo André.[8]
da Petrobras
[editar | editar código fonte]Na CPI da Petrobras, Nelma causou polêmica ao cantar trecho de uma música do Roberto Carlos ao explicar sua relação amorosa com Alberto Youssef, perguntado por um dos parlamentares. Cantou Nelma: "Amada amante, amada amante".[9]
Depois da explicação cantada, foi interrompida pelo deputado Hugo Motta (PMDB-PB). "Senhora Nelma, como presidente dessa CPI, nós não estamos aqui em um teatro".
Investigações
[editar | editar código fonte]Em março de 2015, foi realizada conexão de Kodama com o ex-juiz João Carlos da Rocha Mattos e sua ex-esposa com Nelma Kodama, o que levou a busca e apreensão na casa do filho do ex-juiz, Célio da Rocha Mattos, por suspeita de envolvimento com a quadrilha de Kodama.[10] Célio seria o operador internacional da quadrilha, em Hong Kong.[10] Durante a maior parte das investigações contra a Kodama, somente um integrante da quadrilha conseguia manter oculta a sua identidade: o responsável por parte das transações financeiras, um expert em informática que não deixava rastros e usava o falso nome de Fernando Souza.[10] Célio só foi descoberto depois de outro integrante da quadrilha, Luccas Pace Júnior, fazer um acordo de colaboração com a Justiça.[10]
De acordo com um ex-gerente do Banco do Brasil, a doleira Nelma e o outro doleiro, Raul Srour, do mesmo grupo criminoso depositavam diariamente grandes volumes de dinheiro.[11]
Prisões
[editar | editar código fonte]Lava Jato
[editar | editar código fonte]Foi presa em março de 2014 no Aeroporto Internacional de Guarulhos. De acordo com o MPF, a doleira tentou fugir para Itália com 200 mil euros escondidos na calcinha ao saber que estaria sendo investigada pela Polícia Federal.[7] Em agosto de 2019, a Justiça Federal autorizou que retirasse a tornozeleira eletrônica e fosse solta. A autorização se deu com base no indulto natalino editado pelo ex-presidente Michel Temer em dezembro de 2017.[7]
Tráfico de drogas
[editar | editar código fonte]Foi presa em 19 de abril de 2022 suspeita de fazer parte de uma organização criminosa de tráfico internacional de drogas.[7]
Condenação na Lava Jato
[editar | editar código fonte]Em agosto de 2015, no âmbito da investigação da Operação Lava Jato, foi condenada a 18 anos de prisão por evasão de divisas, operação de instituição financeira regular, corrupção ativa e pertinência a organização criminosa.[1]
Colaboração premiada
[editar | editar código fonte]Em junho de 2016 fechou acordo de delação premiada. O conteúdo da delação serviu para os procuradores investigarem transações irregulares cometidas por corretoras de seguro, bancos e financeiras.[12]
Revogação da colaboração premiada
[editar | editar código fonte]No dia 27 de abril de 2023, em razão da acusação no processo por tráfico de drogas, o magistrado da 13º Vara de Curitiba determinou a revogação da liberdade e a retomada do processo criminal no qual a doleira foi condenada a 18 anos de prisão.[2] "As cláusulas do referido acordo de colaboração premiada são bastante claras no tocante à obrigação da acusada de se abster de novas práticas criminosas. Não se trata, pois, de acusação relacionada a uma simples infração de trânsito, mas sim de tráfico internacional de entorpecentes através de, ao que tudo indica, uma vasta rede que compunha perigosa organização criminosa, baseada na Bahia", afirmou o magistrado.[2]
Referências
- ↑ a b c d e «Lava Jato: Condenados e penas». G1 Política. 17 de agosto de 2015. Consultado em 12 de setembro de 2015
- ↑ a b c d e «Juiz da Lava Jato revoga delação premiada da doleira Nelma Kodama». EBC. 28 de abril de 2023. Consultado em 5 de julho de 2025
- ↑ «Após indulto de Temer, Nelma Kodama poderá tirar tornozeleira eletrônica». Exame. 6 de agosto de 2019. Consultado em 5 de julho de 2025
- ↑ Campbell, Ulisses (15 de julho de 2016). «Nelma Kodama, a dama dos doleiros». Veja. Consultado em 6 de maio de 2024. Arquivado do original em 6 de maio de 2025
- ↑ a b «Polícia Federal prende doleira com 200 mil euros na calcinha». Folha de S. Paulo. Folha da manhã. 19 de março de 2014. Consultado em 12 de setembro de 2015
- ↑ Megale, Bela (20 de junho de 2016). «Primeira detida na Lava Jato, doleira acerta delação e é solta». Folha de S. Paulo. Folha da manhã. Consultado em 21 de junho de 2016
- ↑ a b c d «Quem é Nelma Kodama: presa em operação contra tráfico foi doleira alvo da Lava Jato». G1. 19 de abril de 2022. Consultado em 15 de junho de 2025
- ↑ «Nelma Kodama, a doleira que teria trabalhado para o PT». O Globo. 1 de maio de 2014. Consultado em 12 de setembro de 2015
- ↑ «Na CPI, doleira canta Roberto Carlos para explicar relação amorosa com Youssef». Estadão. 12 de maio de 2015. Consultado em 12 de setembro de 2015
- ↑ a b c d Beirangê, Henrique (17 de setembro de 2015). «Herdeiro de Rocha Mattos é investigado na Lava Jato». Carta Capital. Consultado em 28 de outubro de 2017
- ↑ «Doleiro recebia grandes volumes de dinheiro diariamente, diz ex-gerente à CPI». Estadão. 18 de agosto de 2015. Consultado em 12 de setembro de 2015
- ↑ «Doleira Nelma Kodama fecha acordo de delação premiada e deixa a prisão». G1. Globo. 21 de junho de 2016. Consultado em 5 de julho de 2025