Miguel Alves | |
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Município do Brasil | |
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Hino | |
Gentílico | miguel-alvense |
Localização | |
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Localização de Miguel Alves no Brasil | |
Mapa de Miguel Alves | |
Coordenadas | 4° 09′ 57″ S, 42° 53′ 42″ O |
País | Brasil |
Unidade federativa | Piauí |
Municípios limítrofes | Porto e Maranhão (ao norte); União, Lagoa Alegre e Cabeceiras do Piauí (ao sul); Nossa Senhora dos Remédios e Barras (ao leste); Maranhão (ao oeste). |
Distância até a capital | 112 km |
História | |
Fundação | 24 de maio de 1912 (113 anos) |
Administração | |
Prefeito(a) | Francisco Antônio Rebelo Paiva (MDB, 2025–2028) |
Características geográficas | |
Área total [1] | 1 393,708 km² |
População total (estimativa IBGE/2016[2]) | 33 146 hab. |
Densidade | 23,8 hab./km² |
Clima | Não disponível |
Altitude | 50 m |
Fuso horário | Hora de Brasília (UTC−3) |
Indicadores | |
IDH (PNUD/2010[3]) | 0,539 — baixo |
PIB (IBGE/2008[4]) | R$ 115.000.000,00 |
PIB per capita (IBGE/2008[4]) | R$ 2 598,36 |
Miguel Alves é um município brasileiro, localizado a uma latitude 04º09'56" sul e a uma longitude 42º53'43" oeste, estando a uma altitude de 50 metros no norte do estado do Piauí, na região Nordeste do país. De acordo com a estimativa populacional do IBGE referente a 1º de julho de 2024, o município possui 33.071 habitantes,[5] ocupando a 15ª posição no ranking populacional do estado[6]. A área territorial de Miguel Alves é de 1.392,123 km², conforme dados de 2024. O gentílico dos naturais do município é miguel-alvense.[6]
Características geográficas
[editar | editar código fonte]O município faz parte da microrregião do Baixo Parnaíba, e está cerca de 110km da capital Teresina[7]. O relevo predominante é plano, com altitudes médias, intercalado por morros de pequena elevação. Essa conformação favorece a formação de áreas alagadiças, especialmente durante o período chuvoso.[7]
O clima é classificado como tropical sub úmido, caracterizado por uma estação seca de aproximadamente seis meses e uma estação chuvosa concentrada entre janeiro e maio. As temperaturas variam entre 22 °C e 37 °C, com média anual em torno de 27 °C. A precipitação média anual é de cerca de 1.200 mm, sendo que aproximadamente 85% das chuvas ocorrem durante o período chuvoso.[8][9]
A vegetação é composta por uma mistura de biomas, incluindo Cerrado, Caatinga e áreas de transição conhecidas como Mata de Cocais. Essa diversidade reflete a posição geográfica do município em uma zona de transição ecológica.
O Rio Parnaíba é o principal curso d'água da região, sendo perene e navegável por embarcações de pequeno porte. Além dele, o município conta com diversas lagoas e riachos que desempenham papel crucial no abastecimento de água e na agricultura local.[7]
Os solos predominantes no município de Miguel Alves incluem os chamados solos concrecionários tropicais, que são solos duros com presença de cascalhos ou pedregulhos de óxidos de ferro e alumínio, com baixa fertilidade natural. Também ocorrem solos arenosos (areias quartzosas[10]), que têm textura leve, drenagem rápida e baixa retenção de água e nutrientes, exigindo uso intensivo de adubação para atividades agrícolas. Além desses, há presença de solos hidromórficos, comuns em áreas alagadas ou mal drenadas, que tendem a ser encharcados em parte do ano, e solos aluviais eutróficos, encontrados em áreas de várzea, geralmente mais férteis devido à deposição recente de sedimentos pelo Rio Parnaíba.
Essas condições do solo indicam a necessidade de práticas agrícolas cuidadosas, como correção da acidez, adubação orgânica e manejo conservacionista para garantir a produtividade e evitar degradação
É importante destacar que Miguel Alves está entre os municípios do Piauí com risco de desastres ambientais, como enxurradas e inundações, devido a fatores como urbanização desordenada e ocupação de áreas inadequadas.[11] Em 2009, cerca de 146 famílias ficaram desabrigadas, após um período de chuvas intensas, e a situação ficou mais crítica após a abertura de comportas da barragem Boa Esperança que estava com a maior vazão desde 1985.[12][13]
O surgimento (1830-1950)
[editar | editar código fonte]No início do século XIX, o cearense Miguel Alves, fugindo da grande seca, estabeleceu-se na região onde hoje está localizada a cidade que recebeu seu nome. Especialista na produção de fumo em corda, cultivava as "vazantes ou beira" do Rio Parnaíba, acumulando economias e atraindo moradores que se espalharam pelas várzeas, matas e campos da região.
Quando os "balaios" invadiram o território piauiense, em 1839, ocorreram combates intensos em locais como Lagoa do Meio, Remanso do Frade, Curral Velho e Matas do Egito, onde enfrentaram forças locais lideradas pelo miguel-alvense Antônio de Sousa Mendes, que conquistou o posto de capitão. Outros combates se deram em lugares conhecidos como Pedras do Fogo e Conceição.
Propício à agricultura e, especialmente, à criação de gado — atraiu diversas famílias, que também encontravam facilidades na navegação do Rio Parnaíba. Surgiram então as primeiras fazendas. Entre 1875 e 1877, em decorrência da grande seca do século XIX, nordestinos imigraram para as terras de Miguel Alves, aproveitando os "baixões" e áreas ribeirinhas para o cultivo de cereais.
Entre 1880 e 1885, Ricardo Antônio Xavier, Mariano de Sousa Mendes e Lúcio Ferreira da Silva transferiram-se para a localidade escolhida por Miguel Alves. Estabeleceram comércios, adquiriram terras e fundaram fazendas. O plantio de fumo e algodão, impulsionado pela agricultura crescente, apresentou bons resultados, com a produção sendo comercializada em Parnaíba e Caxias (MA). Eles ergueram os primeiros edifícios e a Capela de São Miguel. Com esse aspecto de povoado em crescimento, o local passou a constituir o terceiro distrito policial da vila de União.
A Lei nº 636, de 11 de julho de 1911, elevou Miguel Alves à condição de vila e distrito judiciário. Em 24 de maio de 1912, o Dr. Luís da Silva Nogueira, Juiz de Direito da comarca de União, instalou o município de Miguel Alves. Novas perspectivas de progresso surgiram com a administração do intendente municipal Torquato Torres, que governou até 1924.
A Lei nº 996, de 20 de julho de 1920, criou a comarca de Miguel Alves, com jurisdição sobre o termo de Porto (antigo Marruás), sendo nomeado juiz o Dr. Simplício de Sousa Mendes, pelo Decreto nº 753, de 23 de outubro de 1920. A instalação da comarca ocorreu em 15 de novembro do mesmo ano.
A Lei estadual nº 1.088, de 7 de julho de 1924, concedeu à sede municipal a condição de cidade.
Entre 1937 e 1945, exerceram a chefia do Executivo municipal os senhores Tenente Cosme de Sousa Lima, Tenente José Augusto Nunes, Major Alcides Gomes da Silva, Joaquim Dias de Santana, José Francisco de Santana e Raimundo Miguel de Freitas Santos. Nos períodos de 1946–1949 e 1950–1953, foram prefeitos, respectivamente, Aderson de Castro Soares e José Rebêlo do Rêgo. Na legislatura de 1955, foi eleito prefeito o Sr. José Teixeira Filho, junto a cinco vereadores municipais.[14][15]
Os primeiros dados da população:
[editar | editar código fonte]O censo de 1950, trouxe alguns dados inéditos da população residente no jovem município de Miguel Alves: 21.818 habitantes[14]
Distribuição por Sexo em 1950. | ||||
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Homens | Mulheres | Homens(%) | Mulheres(%) | |
10.981 | 10.837 | 51,00% | 49,00% |
Os habitantes foram declarados da seguinte forma:
Distribuição por Cor/Raça | |||
---|---|---|---|
BRANCOS | PRETOS | PARDOS/MESTIÇOS | SEM DECLARAÇÃO |
4.809 | 1.330 | 15.656 | 23 |
22% | 6% | 71% | 1% |
Sabe-se que a população acima de 15 anos era de 11.638, e 59% eram casados, 33% solteiros, 8% viúvos ou não declarados.[14]
Distribuição da População em 1950. | ||
---|---|---|
URBANA | RURAL | SUBURBANO |
4,40% | 84,61% | 10,99% |
Cultura e Tradições
[editar | editar código fonte]No final do século XIX, com o crescimento da população em suas terras, Miguel Alves idealizou a construção de um templo religioso. Com o apoio de Ricardo Antônio Xavier, Lúcio Ferreira da Silva e Mariano de Sousa Mendes, foi erguida a primeira capela dedicada a São Miguel Arcanjo. Atrás dessa capela, existia um pequeno cemitério, como era comum nas comunidades da época.[16]
Naquele período, não havia um padre residente no povoado, e a assistência religiosa era prestada de forma esporádica por vigários da Paróquia de União, que enfrentavam grandes dificuldades de locomoção, utilizando como principais meios de transporte os animais e embarcações.[16]
Com o passar dos anos, o aumento da população, o fortalecimento da comunidade e, posteriormente, a emancipação do município despertaram a necessidade de uma igreja maior. Todos desejavam que o novo templo fosse construído exatamente no mesmo local da antiga capela, pois a elevação do terreno, situada no centro da cidade, oferecia uma posição privilegiada e ampla visibilidade.[16]
Em 1927, durante uma visita pastoral, o bispo Dom Severino Vieira de Melo apresentou o projeto de construção da nova igreja matriz. Pouco tempo depois, iniciaram-se as obras, sob a responsabilidade de um mestre de obras vindo de Teresina. Os materiais, trazidos por via fluvial a partir de Parnaíba, foram transportados manualmente pela própria comunidade local, que participou ativamente de todo o processo.[16]
A consagração do templo aconteceu em 20 de dezembro de 1940, presidida por Dom Severino, que também nomeou o padre alemão Franz Göeres como o primeiro vigário da paróquia. Coube a ele concluir a construção da Igreja de São Miguel Arcanjo, onde instalou uma torre de bronze — até hoje a única desse tipo no estado do Piauí.[17]
Posteriormente, com a construção da nova igreja no mesmo local da antiga capela, o pequeno cemitério original acabou ficando abaixo do nível do templo.[16]
- Festejos de São Miguel Arcanjo
A principal cerimônia popular do município são as festividades do padroeiro São Miguel Arcanjo, que se iniciam com o levantamento de um mastro fincado no solo. Essa é uma tradição que remonta aos tempos coloniais e ainda é comum no interior de alguns estados. O período de realização vai de 19 a 29 de setembro[18][17][19][14].[16]
Ver também
[editar | editar código fonte]Referências
- ↑ IBGE (10 out. 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 dez. 2010
- ↑ Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (30 de agosto de 2016). «Estimativas da população residente no Brasil e unidades da federação com data de referência em 1º de julho de 2016» (PDF). Consultado em 2 de março de 2017. Cópia arquivada (PDF) em 30 de agosto de 2016
- ↑ Atlas do Desenvolvimento Humano (29 de julho de 2013). «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil» (PDF). Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Consultado em 9 de setembro de 2013. Cópia arquivada (PDF) em 1 de agosto de 2013
- ↑ a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 dez. 2010
- ↑ «Estimativas da população residente para os municípios e para as unidades da federação | IBGE». www.ibge.gov.br. Consultado em 20 de maio de 2025
- ↑ a b cidades.ibge.gov.br https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pi/miguel-alves/panorama. Consultado em 20 de maio de 2025 Em falta ou vazio
|título=
(ajuda) - ↑ a b c Aguiar, Robério Bôto de (2004). Projeto cadastro de fontes de abastecimento por água subterrânea, estado do Piauí: diagnóstico do município de Miguel Alves (PDF). Fortaleza: CPRM - Serviço Geológico do Brasil. pp. 9–12
- ↑ «Diário Oficial da União Nº 198». IBGE. RESOLUÇÃO Nº 5, DE 10 DE OUTUBRO DE 2002: 48-65. 11 de outubro de 2002
- ↑ «Superintendência CEPRO». www.cepro.pi.gov.br. Consultado em 20 de maio de 2025
- ↑ SPERA, Silvio Tulio (1999). SOLOS ARENO-QUARTZOSOS NO CERRADO: CARACTERISTICAS, PROBLEMAS E LIMITAÇÕES AO USO (PDF). PLANALTINA: EMBRAPA. pp. 9–10. ISBN 1517-5111 Verifique
|isbn=
(ajuda) - ↑ «Piauí tem quase 50 cidades sob risco de sofrer desastres ambientais, diz relatório; veja lista». G1. 25 de maio de 2024. Consultado em 20 de maio de 2025
- ↑ «Shopping fecha as portas em Teresina, no Piauí, por causa do risco de enchente». O Globo. 5 de maio de 2009. Consultado em 20 de maio de 2025
- ↑ «CHUVAS: Defesa Civil conta 5.400 famílias atingidas». CidadeVerde.com. 4 de maio de 2009. Consultado em 20 de maio de 2025
- ↑ a b c d FERREIRA, JURANDYR PIRES (1959). ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS (PDF). XV. Rio de Janeiro: IBGE. pp. 530–532
- ↑ «IBGE | Biblioteca». IBGE | Biblioteca. Consultado em 20 de maio de 2025
- ↑ a b c d e f Tuira, Richarle (sábado, 21 de junho de 2014). «Miguel Alves Ponto de Cultura: IGREJA MATRIZ DE SÃO MIGUEL ARCANJO CARTÃO POSTAL DE MIGUEL ALVES». Miguel Alves Ponto de Cultura. Consultado em 21 de maio de 2025 Verifique data em:
|data=
(ajuda) - ↑ a b «Paroquia de São Miguel Arcanjo: Ex-Vigários». Paroquia de São Miguel Arcanjo. Consultado em 21 de maio de 2025
- ↑ «A Puxada do Mastro. Transformações Históricas da Festa de São Sebastião em Olivença (Ilhéus-BA) - Catálogo Histórico de Teses e Dissertações de História (1942-2000)». www.historiografia.com.br. Consultado em 21 de maio de 2025
- ↑ Araújo, Nilo (3 de setembro de 2013). «Curiosidades: Um passeio pela história de Miguel Alves | Portal Miguel Alves | O primeiro portal de notícias de Miguel Alves». Consultado em 21 de maio de 2025