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Maria da Felicidade do Couto Browne

Maria da Felicidade do Couto Browne
Nascimento 10 de janeiro de 1797
Porto
Morte 8 de novembro de 1861 (64 anos)
Porto
Sepultamento Cemitério da Lapa
Cidadania Portugal
Ocupação poetisa, salonnière
Movimento estético romantismo

Maria da Felicidade do Couto Browne (Porto, 10 de janeiro de 1797 – 8 ou 9 de novembro de 1861) foi uma poetisa portuguesa e organizadora de salões literários portuenses.[1][2] É considerada como uma notável representante do ultrarromantismo português.[3][4]

Maria da Felicidade do Couto Browne nasceu no Porto, em Portugal, filha de Manuel Martins do Couto e Margarida Máxima Joaquim Guimarães, e foi baptizada em Miragaia (Porto).[5][6][7] Ela se casou com Manuel de Clamouse Browne (1790-1857), um rico comerciante de vinho do Porto e fundador da Sociedade Humanitária do Porto, de ascendência irlandesa e francesa.[7] É através deste casamento que a poeta tem acesso ao estudo, uma vez que a sua educação tradicional tinha seguido os moldes associados à classe média, ligados aos cuidados do lar, e era quase analfabeta à data do casamento.[3][7][8] Tiveram duas filhas, Júlia de Clamouse Browne, que se casou com Álvaro Ferreira Teixeira Carneiro de Vasconcelos Girão, o Visconde de Vilarinho de São Romão, e Eulália Ernestina Clamouse Browne, e dois filhos, Manoel de Clamouse Browne (1817-?) e Ricardo de Clamouse Browne (1822/23-1870).[7]

Maria da Felicidade do Couto Browne faleceu em casa, no n.o 57-58 do Largo da Vitória, na freguesia de São Pedro de Miragaia no Porto, a 8 ou 9 de novembro de 1861. Está enterrada no Cemitério da Lapa.[5][7]

Para ser publicada e resenhada sem preconceitos, Maria da Felicidade do Couto Browne utilizou os pseudônimos 'A Coruja Trovadora' e 'Sóror Dolores', que também utilizou como títulos de suas obras.[5] As obras de Maria da Felicidade do Couto Browne gozaram de grande visibilidade na sociedade portuense da época, no entanto um grande número de exemplares terá sido destruído pelo seu filho, Manoel Browne, depois da morte da autora.[2][3][9] Ela colaborou com os periódicos O Bardo, O Nacional, Miscelânea Poética e Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro de Eugénio Tavares.[6][8][10] Foi convidada por António Feliciano de Castilho para integrar o seu projeto d'Os Fastos ovidianos em 1859.[11]

Salões literários

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Maria da Felicidade do Couto Browne participou ainda do contexto cultural e literário do Porto através da organização de salões literários na sua casa na sua quinta do Lugar do Choupelo, em Vila Nova de Gaia, onde recebia escritores como Arnaldo Gama Luís de Magalhães, Ricardo Guimarães, Faustino Xavier de Novaes e Camilo Castelo Branco.[2][6][12]

A partir de 1849 surgem rumores de um romance entre os Maria Felicidade e Camilo (que se pensa ter sido platónico), motivado por troca de versos no periódico O Nacional.[7] Esta situação causa um escândalo, inicialmente denunciada por carta anónima publicada na Pátria, e leva a que o filho de Maria da Felicidade, Ricardo Browne troque com o escritor "sopapos, chicotadas e bengaladas em público".[13] Este desentendimento leva a que os dois participem num duelo que ocorre anos depois na Afurada; Camilo sai ferido na perna.[3][8][14][15] O autor ter-lhe-á dedicado a obra O Marquês de Torres Novas. Drama em cinco actos (1849).[8] Ter-se-á correspondido com Almeida Garrett, que lhe dedicou alguns poemas.[6]

Duas ruas têm o seu nome em Carnide, Lisboa, e em São Domingos de Rana, Cascais.

  • s.d., década de 1840 – Coruja Trovadora
  • 1849 – Sóror Dolores
  • 1854 – Vibrações da Madrugada
  • 1854 – Sonetos e Poesias Líricas (Sonetos e Letras)

Referências

  1. «Maria Felicidade do Couto Browne Bio from Dictionary of Women Worldwide» (em inglês). Consultado em 19 de maio de 2022 
  2. a b c Arao, Lina; Marques Samyn, Henrique. «A figuração do rouxinol na poesia de Maria Browne» (PDF). Oficina da Leitura. Representação animal nos estudos literários: 151. Consultado em 17 junho 2025 
  3. a b c d Arao, Lina (2014). «Jardim de imagens: as flores na poética de Maria Browne». Revista InterteXto (2). ISSN 1981-0601. doi:10.18554/ri.v7i2.1006. Consultado em 17 de junho de 2025 
  4. Martins, Heitor (31 de dezembro de 2008). «"Algemada natureza" Maria Browne e o Malaise ultraromântico». Aletria: Revista de Estudos de Literatura (2): 144–155. ISSN 2317-2096. doi:10.17851/2317-2096.18.2.144-155. Consultado em 17 de junho de 2025 
  5. a b c «Maria Felicidade do Couto Browne Biography» (em inglês). Consultado em 19 de maio de 2022 
  6. a b c d «Falando de... Maria Browne». jornalnordeste.com. Consultado em 17 de junho de 2025 
  7. a b c d e f Biguelini, Elen (2017). Tenho escrevinhado muito: mulheres que escreveram em Portugal (1800-1850). Coimbra: Universidade de Coimbra 
  8. a b c d Biguelini, Elen (2019). «"Fiar n'um amigo? É homem. / Tem d'essencia a falsidade". A masculinidade na obra de Francília (Francisca Paula Possolo da Costa) e Sóror Dolores (Maria da Felicidade de Couto Browne)». História: Questões & Debates (1): 135–163. ISSN 2447-8261. doi:10.5380/his.v67i1.61240. Consultado em 17 de junho de 2025 
  9. Amaral, Fabricia Gonçalves (6 de junho de 2023). «O lugar da mulher escritora nas primeiras décadas do século XX: uma leitura de A sua excia.:a presidente da república no ano 2500, romance de Adalzira Bittencuort». Consultado em 17 de junho de 2025 
  10. «Maria da Felicidade do Couto Browne Brief Bio». Consultado em 19 de maio de 2022 
  11. Cruz, Eduardo da (9 de novembro de 2017). «Um "brilhante congresso": escritoras portuguesas no projeto de António Feliciano de Castilho para sua versão d'Os Fastos ovidianos». SOLETRAS (34): 140–164. ISSN 2316-8838. doi:10.12957/soletras.2017.30436. Consultado em 17 de junho de 2025 
  12. Ferreira Queiroz, J. Francisco (2006–2007). «A encomenda de monumentos sepulcrais no período Romântico e o papel da mulher na construção da memória familiar» (PDF). Faculdade de Letras. Revista da Faculdade de Letras: Ciências e Técnicas do Património. V–VI: 509. Consultado em 17 junho 2025 
  13. Lopes, Carla (2015). Representações do feminino na contística de Maria Aurora Carvalho Homem. Funchal: Universidade da Madeira 
  14. Castro, Andreia Alves Monteiro de (8 de janeiro de 2025). «De peito rasgado e coração revelado: a correspondência poética de Camilo Castelo Branco e Maria da Felicidade do Couto Browne n'O Nacional em 1849». Convergência Lusíada (53): 84–123. ISSN 2316-6134. doi:10.37508/rcl.2025.n53a1335. Consultado em 17 de junho de 2025 
  15. Cruz, Eduardo da; Castro, Andreia Alves Monteiro de (30 de dezembro de 2020). «Revistas literárias do Romantismo português: leituras além do cânone». Literartes (13): 242–269. ISSN 2316-9826. doi:10.11606/issn.2316-9826.literartes.2020.172320. Consultado em 17 de junho de 2025 
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