Jorge Pinheiro Furtado
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Nascimento | 16 de outubro de 1810 Lisboa |
Morte | 29 de janeiro de 1898 (87 anos) Lisboa |
Cidadania | Portugal |
Alma mater | |
Ocupação | oficial, político |
Jorge Cândido Cordeiro Pinheiro Furtado (Lisboa, 16 de outubro de 1810 — Lisboa, 29 de janeiro de 1898) foi um oficial do Exército Português que, entre outras funções de relevo, foi Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Guerra do 45.º governo da Monarquia Constitucional, em funções de 17 de janeiro a 27 de maio de 1892, e novamente do 46.º governo da Monarquia Constitucional, em funções de 27 de maio de 1892 a 22 de fevereiro de 1893.[1][2][3][4][5] Aos 81-82 anos de idade, terá sido o membro do Governo português mais idoso de sempre.
Biografia
[editar | editar código fonte]Nasceu em Lisboa, filho de Eusébio Cândido Cordeiro Pinheiro Furtado, oficial de engenharia do Exército Português que terminaria a sua carreira no posto de brigadeiro e nas funções comandante-geral da arma de Engenharia.
Destinado a seguir a carreira de oficial militar, frequentou os estudos preparatório na Escola Politécnica de Lisboa e assentou praça no Exército, passando ao Batalhão de Caçadores n.º 5.[4] Contudo, o período de formação coincidiu com a subida ao poder de D. Miguel e a perseguição feita aos liberais. Seu pai já se encontrava exilado na ilha Terceira e no início de 1829, com 18 anos de idade, resolveu juntar-se a um grupo de militares liberais que se evadiu de Lisboa para a ilha Terceira. Tendo o embarque sido descoberto, a embarcação que os transportava foi perseguida por uma canhoneira das forças navais miguelistas, mas sem sucesso.[3]
Chegado à cidade de Angra, incorporou-se nas forças liberais, nas quais seu pai era tenente-coronel, e participou na defesa da ilha durante a batalha da Praia, ocorrida a 11 de agosto desse ano de 1829. Permaneceu na Terceira durante os anos seguintes, atravessando as díficeis situação e as grandes privações que tiveram de enfrentar as forças liberais acantonadas na ilha.[3] Participou seguidamente campanha dos Açores, estando presente na conquista da ilha do Pico, em 21 de abril de 1831, no recontro da Ladeira do Gato durante a conquista da ilha de São Jorge, a 9 de maio daquele ano, e na tomada da ilha do Faial, em 23 de junho.[4] Na ocupação da ilha de São Miguel participou na batalha da Ladeira da Velha, travada em 1 de agosto de 1831.[4]
Ainda como cadete no Batalhão de Caçadores n.º 5, integrou o Exército Libertador e fez parte das tropas que protagonizaram o Desembarque do Mindelo, a 8 de julho de 1832, e o Cerco do Porto, tendo-se distinguido na ação de Ponte Ferreira. Foi promovido a alferes, por distinção, em 1832.[4]
Terminada a Guerra Civil Portuguesa, passou a tenente, em 1834, e integrou a Divisão Auxiliar a Espanha (1835-1837), tendo-se destacado de tal forma que foi condecorado com a Cruz Laureada de San Fernando e recebeu a Cruz Militar de 1.ª classe.[3]
Foi promovido a capitão em 1840, a major do Exército Ultramarino em 1845, sendo então nomeado comandante da artilharia de Cabo Verde. Em 1851 foi promovido a major do Exército Metropolitano, em 1861 a tenente-coronel e em 1864 a coronel. Neste posto foi comandante do Regimento de Infantaria n.º 1 e do Regimento de Infantaria n.º 18.
Foi promovido ao posto de general-de-brigada em 1875 e a general-de-divisão em 1884, sendo então nomeado inspector da arma de Artilharia. Em 1889 foi nomeado comandante da Divisão Militar do Porto (a 3.ª Divisão Militar). Em 1891 foi nomeado ajudante-de-campo honorário do rei D. Carlos.[4]
Em 1892, aos 81 anos de idade, aceitou o cargo de Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Guerra do 45.º governo da Monarquia Constitucional, presidido por José Dias Ferreira, em funções de 17 de janeiro a 27 de maio de 1892. Tendo este governo sido exonerado, transitou nas mesmas funções para o 46.º governo da Monarquia Constitucional, também presidido por José Dias Ferreira, em funções de 27 de maio de 1892 a 22 de fevereiro de 1893. Aos 83 anos de idade ainda montava lestamente um cavalo.[3]
Além de condecorações estrangeiras, foi agraciado com a grã-cruz da Ordem de Avis e era comendador da Ordem da Torre e Espada e da Ordem de Santiago e cavaleiro da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.
Referências
[editar | editar código fonte]- ↑ GERMIL : Jorge Cândido Cordeiro Pinheiro Furtado.
- ↑ Fernando dos Santos Costa, 1ª Região de Militar: Generais Comandantes da 3ª Divisão e 1ª Região Militares. Tipografia Invicta, Porto, 1950.
- ↑ a b c d e O Occidente, n.º 689 (1898), p. 40.
- ↑ a b c d e f Enciclopédia Açoriana: «Furtado, Jorge Cândido Pinheiro».
- ↑ Dicionário Portugal (1907). Lisboa, Romano Torres, tomo III, p. 643.