Maria Crocifissa della Concezione
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Isabella Tomasi em uma pintura siciliana do século XVIII, autor desconhecido | |
Religiosa e Mística | |
Nascimento | 29 de maio de 1645 Agrigento |
Morte | 16 de outubro de 1699 (54 anos) Palma di Montechiaro |
Nome de nascimento | Isabella Tomasi di Lampedusa |
Nome religioso | Maria Crocifissa della Concezione |
Veneração por | Igreja Católica |
Beatificação | (processo em curso) |
Principal templo | Mosteiro do Santíssimo Rosário, Palma di Montechiaro, Itália |
Festa litúrgica | 16 de outubro |
Atribuições | hábito religioso, crucifixo, coroa de espinhos, lírios e ramo de palmeira |
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Maria Crocifissa della Concezione, nascida Isabella Tomasi di Lampedusa (Agrigento, 29 de maio de 1645 — Palma di Montechiaro, 16 de outubro de 1699) foi uma nobre italiana e freira católica, conhecida por suas experiências místicas entre as religiosas beneditinas do mosteiro de Palma di Montechiaro. Em 1787, foi declarada venerável pelo Papa Pio VI.[1]
Biografia
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Isabella Tomasi di Lampedusa nasceu em Agrigento no dia 29 de maio de 1645. Segunda filha do Duque de Palma Giulio Tomasi, Príncipe de Lampedusa, e de Rosalia Traina, Baronesa de Falconeri e Torretta. Foi educada num ambiente familiar muito cristão que sempre caracterizou a família Tomasi di Lampedusa. Não se sabe se naquela época ela já estava destinada à vida monástica pela família, embora seja provável que assim fosse. Por outro lado, o mesmo havia sido feito com seu irmão São José Maria Tomasi, que se tornaria cardeal e que seria canonizado, e com as outras duas irmãs, Francesca e Antonia.[2]
O pai das jovens, Giulio, e seu irmão Carlo pediram e obtiveram permissão da cúria para construir um mosteiro beneditino de clausura em Palma di Montechiaro, dedicado ao SS. Rosário. Renovaram assim o seu palácio ducal (os Tomasis eram senhores feudais de Palma) transformando-o num cenóbio adjacente à catedral da época que se tornou a igreja da comunidade religiosa.
Isabella Tomasi ingressou na Ordem em 7 de outubro de 1660 e fez os votos, assumindo o nome de Maria Crocifissa della Concezione.
Assim iniciou a sua vida religiosa, dedicando-se à meditação, aos trabalhos mais humildes e à unidade íntima e fervorosa com o Senhor. O bispo de Agrigento, Ignazio D'Amico, ao saber da devoção da freira, enviou três jesuítas para confirmar o que havia aprendido. Os três sacerdotes ficaram impressionados com a santidade de Maria Crocifissa e relataram-na ao prelado quando regressaram.[3]
Diz-se que em 1672 ela teve uma visão de Nossa Senhora das Dores que lhe disse: "A cruz será o seu recinto perpétuo... A cruz já está estabelecida, só falta subir lentamente nela... para ser crucificada perfeitamente".[4]
Segundo o testemunho de uma das suas irmãs, que vivia com ela na comunidade, ela vivia continuamente em penitência, aceitando com alegria as enfermidades que a atingiam e depois a levaram à morte prematura.[5]
A Irmã Maria era conhecida por gritar e desmaiar no altar. Ela frequentemente alertava os outros de que o diabo estava tentando fazê-la servir ao mal em vez de a Deus.[6]
Morreu em 16 de outubro de 1699, no mosteiro onde vivia, pronunciando as palavras: "Santo, Santo, Santo".
Lettera del Diavolo
[editar | editar código fonte]Segundo a lenda, o diabo usou Maria Crocifissa para escrever uma mensagem criptografada. O acontecimento é descrito em fontes históricas da forma como a freira acordou de manhã com a mão suja de tinta e ao lado dela havia uma folha escrita. Ninguém conseguiu decifrar a escrita, o motivou ela permanecer guardada no mosteiro por 342 anos.[7] Ao longo dos séculos, os estudiosos acreditaram que a carta foi escrita em uma língua que a própria Irmã Maria inventou, usando línguas preexistentes que ela dominava bem. Somente em 2017 uma equipe de pesquisa de Catânia conseguiu decifrar o texto usando um software de decodificação da deep web.[8][9]
Beatificação
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Um processo ordinário para sua beatificação foi iniciado em 20 de outubro de 1700 em Agrigento. No ano de 1704, o cônego Girolamo Turano compôs uma biografia da serva de Deus, publicada no mesmo ano e que relata alguns escritos. A primeira fase do processo apostólico ocorreu em 1737 na cidade vizinha de Licata; depois os documentos foram transferidos para Roma e, somente no ano 1787, o Papa Pio VI reconheceu suas virtudes heroicas.[10]
Referências
- ↑ «La lettera del Diavolo: un mistero siciliano» (em italiano). Palermoviva. Consultado em 18 de outubro de 2024
- ↑ Gallerano
- ↑ De Gregorio
- ↑ Cabibbo e Modica, p. 85
- ↑ Nocentini
- ↑ «Letter from the Devil translated - written by possessed nun. Here's what it says» (em inglês). Catholic Online. 9 de dezembro de 2017. Consultado em 18 de outubro de 2024
- ↑ «Carta do Diabo, a tentativa de Satã de levar uma freira para o caminho das trevas». Aventuras na História. 30 de abril de 2020. Consultado em 18 de outubro de 2024
- ↑ Mills, Jen (10 de setembro de 2017). «A 'possessed' nun's 17th century devil letter has finally been translated» (em inglês). Metro. Consultado em 18 de outubro de 2024
- ↑ «Così un algoritmo ha decifrato il mistero della "Lettera del diavolo"» (em italiano). La Stampa. 3 de setembro de 2017. Consultado em 18 de outubro de 2024
- ↑ Cabibbo, Sara. «TOMASI, Isabella» (em italiano). Enciclopedia Italiana. Consultado em 18 de outubro de 2024
Bibliografia
[editar | editar código fonte]- Calogero Gallerano, Isabella Tomasi, Centro Culturale Pirandello, Agrigento, 1986
- Domenico De Gregorio, La chiesa agrigentina, notizie storiche, vol. II, Agrigento, 1997
- Sara Cabibbo e Marilena Modica, La Santa dei Tomasi, storia di Suor Maria Crocifissa, Einaudi, Torino, 1989
- Stefano Nocentini, La lettera del diavolo - La vera storia di Isabella Tomasi di Lampedusa, Sensoinverso, Ravenna, 2018