
O processo de imigração em Portugal teve vários momentos, desde a fixação de diferentes povos no processo de criação da nação portuguesa ao longo de milhares de anos, passando pelo mundo dos dias de hoje, com a imigração proveniente das suas ex-colónias e da Europa de Leste ou até mesmo a imigração de seniores "endinheirados" proveniente de outros países da União Europeia, que devido à criação desse espaço comum e ao desejo dos europeus do Norte da Europa se fixarem nos países do Sul para passarem o resto das suas vidas, depois de uma vida de trabalho.
Portugal, tal como Espanha, passou de um país de emigração para um país de imigração, ou seja, a entrada de pessoas é superior à saída.[1]
Em 2025, dados preliminares indicam que viviam em Portugal pelo menos 1.546.521 cidadãos estrangeiros.[2][3][4]
O povoamento do território
[editar | editar código fonte]Os imigrantes encontram-se principalmente no litoral, procurando as melhores condições de vida possíveis. Visto que a maior parte da população portuguesa se situa no litoral, há aí mais hipóteses de os imigrantes encontrarem emprego.
A descolonização
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Nos anos 70 do século XX, com a descolonização começam a surgir e a crescer uma comunidade cabo-verdiana inicial, a que mais tarde se junta uma comunidade africana lusófona, com destaque para os angolanos. Apesar de ter sido sempre em pequenas proporções, a regularidade fez com que esta fosse adquirindo um peso crescente na comunidade portuguesa. A maioria desta comunidade fixou-se em volta da cidade de Lisboa.
Imigração atual
[editar | editar código fonte]Até aos anos 90 do século XX, a maioria da imigração em Portugal era oriunda de países lusófonos, dada a proximidade cultural e linguística. No entanto, a partir de 1999, começou repentinamente um tipo de imigração diferente e em massa proveniente da Europa de Leste.
Este grande fluxo migratório muito se deveu à abertura das fronteiras da União Europeia, em 1999. A escassez de empregos indiferenciados nessa região da Europa fez com que estes migrassem para a Península Ibérica, onde existiam grandes necessidades de mão-de-obra para a construção civil e agricultura. Neste fluxo migratório, contavam-se os eslavos (ucranianos, russos e búlgaros) e os latinos (romenos e moldavos).

No fim da década de 1990 e no início dos anos 2000, um dos maiores grupos, que se fixou sobretudo nas regiões de Lisboa, de Setúbal, de Faro e do Porto, foram os ucranianos. No entanto, o número de imigrantes legais eram de cerca de 70 000, sabendo-se que este número é muitas vezes inferior à realidade. O grupo tornou-se de tal forma numeroso, que fez com que a Ucrânia, de país distante e desconhecido, passasse a ser familiar e que a maioria dos imigrantes de Leste seja vista pelos portugueses como "ucranianos". A imigração de Leste tornou-se de difícil controlo e começaram a atuar no país máfias que traziam e controlavam imigrantes.
Em 2003, a imigração em massa proveniente do leste europeu estancou e passou a ser de fluxo mais ténue, passando a destacar-se a imigração de brasileiros e asiáticos de várias origens (nomeadamente indianos e chineses).
Existem ainda núcleos de imigrantes provenientes da América Latina, principalmente brasileiros e venezuelanos, e do Norte de África.
Em dados oficiais de 2009, viviam em Portugal perto de 500 mil emigrantes, o que representava cerca de 5% da população total do país. As maiores comunidades de imigrantes, que representavam 90% dos imigrantes em território português, eram oriundas do Brasil (17%), Cabo Verde (14%), Ucrânia (9%), Angola (8%), Guiné-Bissau (6%), Reino Unido (6%), Roménia (5%), Espanha (5%), Alemanha (4%), Moldávia (4%), São Tomé e Príncipe (4%), China (3%), França (3%) e Rússia (2%).[5]
2017 - presenteː desregulação das leis de imigração 2017-2023 e novas vagas de imigração
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Até agosto de 2017, só era concedida autorização de residência em Portugal a imigrantes mediante a apresentação de contrato de trabalho e registo de contribuições fiscais, para garantir que tinham capacidade de se sustentarem em território nacional.[9]
Contra o parecer do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, em 2017 o Bloco de Esquerda propôs passar a autorizar a residência a imigrantes mediante inscrição na Segurança Social e "promessa de um contrato" somente, mesmo sem provas de capacidade de se sustentarem. Essa proposta foi aprovada pelo governo da "Geringonça" com votos dos partidos de esquerda.[9] No seguimento desta alteração na lei, surgiu "todo um mecanismo de negócio de falsos contratos de promessa de trabalho, que eram "vendidos" para trazer pessoas para o território". Ao mesmo tempo levou a um grande aumento de pedidos de regularização para os quais o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) não tinha capacidade de resposta.[10]
Até 2019, a lei exigia estrita legalidade na entrada no país, mas o governo da "Geringonça" mudou uma vez mais a lei, para passar a oficialmente "presumir entrada legal" de quem esteja a trabalhar há 12 meses no país, significando que todos os imigrantes podem ser legalizados após 12 meses de estadia ilegal desde que não sejam detetados.[10]
Tal como avisado pelo SEF, estas alterações tiveram como resultado um aumento do chamado "efeito de chamada", que se traduziu em três fenómenos: o aumento de imigração clandestina, o aumento da exploração laboral de imigrantes e a sujeição destes a condições desumanas.[10]
Segundo dados oficiais, em 2020 o número de imigrantes brasileiros em Portugal com autorização de residência era quase de 184 mil.

Entre 1 de junho e 30 de setembro de 2020, ano de confinamento e restrições devido à pandemia COVID-19, entraram em Portugal 53 indivíduos oriundos de Timor Leste; em 2021, foram registadas 350 entradas e em 2022 mais de 3000.[11] No decorrer do ano, 600 timorenses manifestaram interesse em obter autorização de residência para trabalho.[11] O SEF entretanto identificou 11 situações por indícios de auxílio à imigração ilegal e tráfico de pessoas de Timor.[11]
Em novembro de 2022, foi introduzido um novo regime para a entrada de imigrantes em Portugal, que incluía um "visto de procura de trabalho", permitindo que os imigrantes tivessem seis meses para procurar emprego, a abolição de quotas de imigração e a criação de um visto de residência ou estadia temporária para nómadas digitais.[12]
Em 2022, os imigrantes com autorização de residência totalizavam 757.752.[13] O Brasil liderava a tabela, com 233.138 naturais em Portugal.[13]
Em janeiro de 2023, o parlamento português rejeitou proposta do PSD para a criação de um "programa nacional de atração de imigrantes", com votos contra do PS, do CHEGA e do BE, e com abstenção da IL, do PCP, do PAN e do Livre.[14]
Em Março de 2025 o Relatório Intercalar sobre a Recuperação de Processos Pendentes da AIMA[15] vêm atualizar os dados anteriormente divulgados:
Ano | Reportado Anteriormente | Correção | Dados Preliminares |
---|---|---|---|
2017 | 421.711 | – | 421.785 |
2018 | 480.639 | – | 480.639 |
2019 | 590.348 | 2.548 | 592.906 |
2020 | 662.095 | 4.279 | 666.374 |
2021 | 698.887 | 14.592 | 713.479 |
2022 | 781.915 | 212.096 | 994.011 |
2023 | 1.044.606 | 248.857 | 1.293.463 |
2024* | – | – | 1.465.446 |
2024** | – | – | 1.546.521 |
* Dados preliminares devido à inclusão de processos do regime transitório (mais de 50 mil pedidos em análise).
** Previsão para o segundo semestre de 2024.
Estrangeiros por país de origem
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Aqui encontra-se uma lista dos principais países de origem de imigrantes em 2023 e respetivos números ao longo dos anos. Estes dados não incluem imigrantes naturalizados e pessoas sob os estatuto de proteção temporária.
País | em
2000[16] |
em
2005[16] |
em
2010[16] |
em
2015[16] |
em
2020[16] |
em
2023[17] |
---|---|---|---|---|---|---|
![]() |
22.202 | 31.500 | 119.363 | 82.590 | 183.993 | 368.449 |
![]() |
20.416 | 27.533 | 23.494 | 18.247 | 24.449 | 55.589 |
![]() |
47.093 | 55.608 | 43.979 | 38.674 | 36.609 | 48.885 |
![]() |
14.096 | 19.005 | 17.202 | 17.237 | 46.239 | 47.409 |
![]() |
1.290 | 1.749 | 5.271 | 6.935 | 24.550 | 44.051 |
![]() |
3.030 | 4.821 | 5.067 | 6.130 | 28.159 | 36.227 |
![]() |
15.941 | 20.935 | 19.817 | 17.091 | 19.680 | 32.535 |
![]() |
0.002 | 0.042 | 0.797 | 4.798 | 21.015 | 29.972 |
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3.282 | 5.551 | 15.714 | 21.329 | 26.182 | 27.873 |
![]() |
7.193 | 9.589 | 5.111 | 8.440 | 24.935 | 27.549 |
![]() |
5.437 | 8.198 | 10.516 | 9.546 | 10.706 | 26.460 |
![]() |
0.171 | 0.621 | 1.007 | 2.571 | 9.916 | 25.666 |
![]() |
0.163 | 2.120 | 49.505 | 35.779 | 28.629 | 23.499 |
![]() |
10.385 | 13.622 | 8.967 | 9.035 | 16.041 | 22.858 |
![]() |
0.369 | 1.564 | 36.830 | 30.523 | 30.052 | 20.881 |
![]() |
12.229 | 16.398 | 8.918 | 10.019 | 16.981 | 20.573 |
Ligações externas
[editar | editar código fonte]- Portal Associações de Imigrantes em Portugal
- ACIME - Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural, I. P.
Referências
- ↑ Barros, Rui (3 de setembro de 2024). «Interactivo. O que sabemos (e não sabemos) sobre sobre os imigrantes em Portugal?». PÚBLICO. Consultado em 8 de abril de 2025
- ↑ Henriques, Joana Gorjão (8 de abril de 2025). «Imigrantes em Portugal já ultrapassam 1,5 milhões, segundo a AIMA». PÚBLICO. Consultado em 8 de abril de 2025
- ↑ «AIMA atualiza dados: vivem em Portugal 1,6 milhões de imigrantes». Jornal de Notícias. 8 de abril de 2025. Consultado em 8 de abril de 2025
- ↑ «Número de imigrantes em Portugal deve chegar a 1,6 milhões». SIC Notícias. 8 de abril de 2025. Consultado em 8 de abril de 2025
- ↑ «RPER». www.apdr.pt. Consultado em 3 de janeiro de 2017
- ↑ «Mouraria. No bairro do fado, dos talhos 'halal' e do cheiro a caril, as pessoas vivem em condições "tão miseráveis porque não têm alternativas"». CNN Portugal. 12 de fevereiro de 2023. Consultado em 2 de agosto de 2023
- ↑ Agência Lusa. «Comunidade do Bangladesh tem cerca 20 infetados em bairro lisboeta». Observador. Consultado em 2 de agosto de 2023
- ↑ Rádio e Televisão de Portugal (1 de março de 2018). «"Bangla em Lisboa". Surpreendente retrato de uma comunidade rendida a Portugal». RTP. Consultado em 2 de agosto de 2023
- ↑ a b «SEF chumbou proposta da nova Lei de Estrangeiros». www.dn.pt. Consultado em 27 de fevereiro de 2023
- ↑ a b c «Ana Rita Gil: ″As alterações à lei potenciaram a imigração clandestina e a exploração laboral″». www.dn.pt. Consultado em 27 de fevereiro de 2023
- ↑ a b c «De Timor para o ″mercado de escravos″ do Martim Moniz». www.dn.pt. Consultado em 27 de fevereiro de 2023
- ↑ Lusa, Agência. «Novo regime de entrada de imigrantes em Portugal entra em vigor em novembro». Observador. Consultado em 27 de fevereiro de 2023
- ↑ a b «758 mil imigrantes: número de brasileiros e indianos é o que mais cresce». www.dn.pt. Consultado em 27 de fevereiro de 2023
- ↑ «Parlamento rejeita projeto-lei do PSD para criar programa nacional de atração de imigrantes». www.dn.pt. Consultado em 27 de fevereiro de 2023
- ↑ «AIMA disponibiliza Relatório Intercalar - Notícias | News». AIMA. 8 de abril de 2025. Consultado em 8 de abril de 2025
- ↑ a b c d e «Estatísticas de Imigrantes em Portugal por Nacionalidade». Consultado em 17 de setembro de 2024
- ↑ «Relatórios de Imigração Fronteiras e Asilo - 2023» (PDF). AIMA. 17 de setembro de 2024