Hendrick Vaal Neto
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Nascimento | 22 de novembro de 1944 Gabela |
Cidadania | Angola |
Ocupação | político, diplomata |
Pedro Hendrick Vaal Neto (Gabela, 22 de novembro de 1944) é um politólogo, político, escritor, compositor e diplomata angolano. Inicialmente uma figura proeminente da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), em 1990 se juntou ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). De 1993 a 2005 foi Ministro da Comunicação Social de Angola. Serve como embaixador do corpo diplomático de Angola.
Biografia
[editar | editar código fonte]Nascido em Gabela, no Cuanza Sul, em 22 de novembro de 1944,[1] numa família angolana de congos, seu pai, Luís Henrique Pedro da Silva,[2] e sua mãe, Maria Helena da Conceição Vaal e Silva, eram funcionários públicos na administração colonial portuguesa.[1] A família se mudava com frequência pelo país.[1] Por conta das mudanças de residência, estudou em Caconda, Ambriz, Ganda, Huambo, Benguela e Luanda.[2] Durante estas mudanças, Hendrik Vaal Neto pôde observar a imposição do colonialismo ao povo angolano e desenvolveu fortes sentimentos anticoloniais.[1][3] Manifestaria sua compreensão anticolonialista de mundo muito cedo, ao escrever seus primeiros poemas, aos 11 anos de idade, alguns dos quais chegaram a ser publicados pela Rádio Ecclesia.[2]
Em 1959, aos quinze anos, Hendrik Vaal Neto passou à clandestinidade, juntando-se aos movimentos anticolonialistas em Angola.[2][3] Em 1963, a Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) o prendeu e o submeteu a duros interrogatórios.[2][3] Após sua libertação, se juntou à FNLA.[2] No Congo-Quinxassa, frequentou o Instituto Nacional de Estudos Políticos, formando-se como politólogo com especialização em estudos congoleses.[2][3]
Durante a Guerra de Independência de Angola, Hendrik Vaal Neto trabalhou no departamento diplomático da FNLA.[3] Ocupou cargos importantes e relevantes no departamento e foi designado como um dos representantes da organização em Quinxassa.[4] Esta função era de particular importância, já que o presidente do Zaire, Mobutu Sese Seko, era o principal aliado da FNLA.[4] Enquanto em Quinxassa, trabalhou também no departamento cultural da FNLA, produzindo poemas e músicas que eram recitadas e tocadas na rádio partidária e cantadas em combate.[2]
Após a Revolução dos Cravos, em 1974, iniciou-se o processo de descolonização de Angola.[4] Em 1975 compôs o Conselho Presidencial do Governo de Transição, secretariando a pasta da Informação chefiada por Manuel Rui, do MPLA.[5][6] Dado que Holden Roberto recebe grandes somas financeiras da Agência Central de Inteligência (CIA), em março de 1975, que lhe permitem comprar tanto o jornal A Província de Angola como a Televisão de Angola (enquanto que a Rádio Nacional de Angola ficou sob controle do MPLA), Hendrik Vaal Neto passa a ser o nome do partido responsável pela propaganda política a partir de agosto do mesmo ano, na reta final dos confrontos da independência.[7]
A guerra de independência rapidamente se transformou em uma guerra civil entre o MPLA marxista-leninista, a FNLA conservadora e a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) ainda nacionalista de esquerda.[4] Em outubro de 1975, Hendrik Vaal Neto passa a ser responsável pelo suporte diplomático internacional à Batalha de Quifangondo.[8] No entanto, a FNLA sofreu uma derrota militar esmagadora.[8] Em 11 de novembro de 1975, a independência de Angola foi proclamada sob o governo do MPLA.[8]
Ao final deste período, Hendrik Vaal Neto, junto com Ngola Kabangu e Lucas Ngonda, passou a pertencer à liderança política máxima da FNLA que assessorava e aconselhava diretamente Holden Roberto. Após a normalização oficial das relações entre a Angola e o Zaire, as atividades da FNLA praticamente cessaram, mas formalmente a organização continuou a existir. Hendrik Vaal Neto continuou à frente do aparato diplomático da organização. Em abril de 1979 representou a FNLA na 12ª Conferência da Liga Mundial Anticomunista (WACL).[9].
As derrotas militares e políticas da FNLA estimularam a oposição a Holden Roberto. Em 12 de agosto de 1980, Hendrik Vaal Neto e Paulo Tuba fundaram o Conselho Militar da Resistência em Angola (COMIRA). Um mês depois, em 15 de setembro, anunciaram o afastamento de Roberto da liderança e a adesão da FNLA ao COMIRA. Hendrik Vaal Neto tornou-se o líder da FNLA-COMIRA. No entanto, o projeto, concebido para intensificar a luta armada clandestina em Angola, não foi desenvolvido. Em 1983 as atividades do COMIRA cessaram.[10]
Desde 1983, Hendrik Vaal Neto se distanciou da FNLA, embora não tenha rompido formalmente com a organização. Morou em Portugal e depois se mudou para os Estados Unidos,[11] neste país concluíndo um curso de gestão de negócios pela Universidade do Nordeste.[2] Nos Estados Unidos, juntamente com Paulo Tuba, Baltazar Manuel, Moisés Kamabaya, Eduardo Augusto Kâmbwa, António Miguel Baia, Mateus Ferreira dos Santos e Francisco "Xico Zé" da Cruz, formou uma tendência partidária da FNLA de ruptura com Roberto.[11]
No final da década de 1980, com a crise do comunismo, José Eduardo dos Santos, na liderança do MPLA, iniciou uma reorientação política e ideológica no partido e no Estado angolano – rejeitando a ideologia marxista-leninista, adotando a social-democracia, introduzindo um sistema multipartidário e uma economia de mercado, e estabelecendo laços estreitos com o mundo ocidental.[11] As negociações sobre a legalização da FNLA começaram (do lado do governo, esse processo foi supervisionado por Dino Matrosse).[11] Hendrik Vaal Neto desempenhou um dos papéis-chave nestes contatos.[11]
A FNLA foi legalizada, e Holden Roberto e seus associados retornaram a Angola e aceitaram disputar as eleições parlamentares.[11] Hendrik Vaal Neto foi mais longe: filiou-se ao MPLA e foi cooptado para o Comité Central do partido.[11] A entrada de um antigo ativista da WACL na liderança do ex-marxista-leninista MPLA foi uma surpresa.[11] No período, Hendrick Vaal Neto passou a dirigir a então recém criada empresa de comunicação e marquetingue político, Órion.[11]
Em 1993, o presidente José Eduardo dos Santos nomeou Hendrik Vaal Neto como Ministro da Comunicação Social.[3][11] Vaal Neto foi a primeira figura da FNLA que conseguiu tornar-se membro do primeiro escalão do governo angolano.[11] Durante doze anos, ele supervisionou a política de informação, telecomunicações e tecnologias de informação do governo.[3][11]
Em 2005, Hendrik Vaal Neto deixou seu cargo ministerial.[3][11] Ele foi transferido para o Ministério das Relações Exteriores de Angola, passando, em janeiro de 2006, a ser embaixador de Angola no Egito.[3][12] Ao mesmo tempo, supervisionou missões angolanas em outros países árabes – Síria, Líbano, Jordânia, Iraque, Iêmen, Omã e também no Irã.[3] Ele se concentrou principalmente na cooperação econômica, principalmente na coordenação de políticas de exportação de petróleo, sendo um dos diplomatas responsáveis por fazer o país ingressar na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).[3]
Em 12 de setembro de 2011 Vaal Neto foi enviado como embaixador no Zimbábue com a missão de fortalecer a cooperação entre os governos de Santos e Robert Mugabe.[13] Em julho de 2018 foi o responsável por supervisionar, em nome de Angola e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (CDAA), as primeiras eleições no Zimbábue sem o nome de Mugabe, atestando a regularidade do pleito.[14]
Atividade literária
[editar | editar código fonte]Hendrik Vaal Neto também é conhecido como escritor.[1] O tema principal da sua obra é a formação da personalidade na luta de libertação nacional e os conflitos entre vida tradicional africana e o mundo pós-colonial.[15][1] A sua experiência pessoal de prisão pela PIDE ocupa um lugar especial.[1]
Referências
- ↑ a b c d e f g «Hendrick Vaal Neto lança na UEA "Fragmentos: pedaços de vidas"». Jornal de Angola. 7 de junho de 2018
- ↑ a b c d e f g h i «Angola & Literatura - 'VAGUEANDO', de Hendrik Vaal Neto - Luanda 1999 - Muito Raro». Livros Ultramar - Guerra Colonial. 3 de julho de 2014
- ↑ a b c d e f g h i j k «Vaal Neto - Escritor». LEA. 8 de março de 2025
- ↑ a b c d «Conferência de imprensa de Hendrick Vaal Neto». RTP. 14 de junho de 1975. Consultado em 2 de julho de 2019. Cópia arquivada em 2 de julho de 2019
- ↑ «Governo de Transição foi há 44 anos». Jornal de Angola. 31 de janeiro de 2019
- ↑ «Livro de Hendrik Vaal Neto "Não se esqueçam de nós" relançado». Gira Notícias. 9 de março de 2025
- ↑ «Holden Roberto, da UPNA à UPA e à FNLA». Jornal de Angola. 15 de março de 2023
- ↑ a b c «O ELNA e a Batalha de Quifangondo». Wizi Kongo. 9 de novembro de 2017. Consultado em 2 de julho de 2019. Cópia arquivada em 2 de julho de 2019
- ↑ «1979. Анализ, в Мире, Общество». В Кризис.ру. 1 de julho de 2019. Consultado em 2 de julho de 2019. Cópia arquivada em 2 de julho de 2019
- ↑ Jacqueline Kalley; Elna Schoeman (1999). Southern African Political History: A Chronology of Key Political Events from Independence to Mid-1997. [S.l.]: Greenwood
- ↑ a b c d e f g h i j k l m Semanário Angolense; Pedro Rodrigues (2 de março de 2005). «Afastamento de Vaal Neto confirma decadência de dissidentes da Fnla». Angonotícias. Consultado em 2 de julho de 2019. Cópia arquivada em 2 de julho de 2019
- ↑ «Ambassador Hendrick Vaal Neto bids farewell to Egyptian authorities». Angop. Agosto de 2011
- ↑ «'Election candidates should accept results'». Chronicle. 13 de junho de 2019. Consultado em 2 de julho de 2019. Cópia arquivada em 15 de junho de 2019
- ↑ «Zimbabwe: MDC-A Must Accept Defeat, Angola». South Africa Today. 2019
- ↑ «Hendrik Vaal Neto apresenta novos livros». Jornal de Angola. 11 de fevereiro de 2014