Galope à beira-mar é um poema de forma física criado pelo repentista cearense José Pretinho.[1]
História
[editar | editar código fonte]Conta-se que Zé Pretinho, após perder um duelo em martelo agalopado, foi retirar-se à beira-mar, e ali, vendo e ouvindo o marulho, imaginou o som de um galope.[2] E fez os versos de onze sílabas (hendecassílabos), com a mesma estrutura de décima (estrofe de dez versos). Manteve o esquema rímico ABBAACCDDC usual no martelo agalopado e nas décimas de cantorias.
Estrutura
[editar | editar código fonte]- O galope à beira-mar é formado por uma ou mais estrofe(s) de 10 versos hendecassílabos,[1] com o ritmo de tônicas nas posições 2, 5, 8 e 11, ou seja, um iambo e 3 anapestos.
- Uma exigência no galope à beira-mar é que o último verso sempre termine com a palavra "mar", no mínimo, sendo preferível terminar com "galope na beira do mar".[3]
Versos hendecassílabos que têm o ritmo semelhante são considerados apenas versos com ritmo de galope à beira-mar, mas não identificados como o genuíno, pela falta dos requisitos exigidos, ou seja, estrofe com 10 versos, última palavra: "mar".
Exemplo
[editar | editar código fonte]- Cantor das coivaras queimando o horizonte,
- das brancas raízes expostas à lua,
- da pedra alvejada, da laje tão nua
- guardando o silêncio da noite no monte.
- Cantor do lamento da água da fonte
- que desce ao açude e lá fica a teimar
- com o sol e com o vento, até se finar
- no último adejo da asa sedenta,
- que busca salvar-se da morte e inventa
- cantigas de adeuses na beira do mar.
- (“Galope à beira-mar” – Luciano Maia)[4]
Referências
- ↑ a b Cordel na Educação. «Galope à beira-mar». Consultado em 20 de julho de 2022
- ↑ «Na beira do mar». Consultado em 20 de julho de 2022
- ↑ «Galope à beira-mar». Recanto das Letras. 20 de março de 2009. Consultado em 17 de abril de 2025
- ↑ Jornal de Poesia