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Gabinete Goblet

Gabinete Goblet
França
Terceira República Francesa
1886-1887
Início11 de dezembro de 1886
Fim19 de maio de 1887
Duração5 meses e 8 dias
Organização e Composição
TipoGoverno de coalizão
Presidente do Conselho de MinistrosRené Goblet
Presidente da RepúblicaJules Grévy
ColigaçãoRepublicanos - União das Esquerdas e Esquerda Radical

O Gabinete Goblet foi o ministério formado por René Goblet em 11 de dezembro de 1886 e dissolvido em 19 de maio de 1887. Foi o 23º gabinete da Terceira República Francesa, sendo antecedido pelo Gabinete Freycinet III e sucedido pelo Gabinete Rouvier I.

René Goblet formou um governo de coalizão republicana. O gabinete é, em última análise, uma completa improvisação, com oito ministros do antigo governo, seis dos quais não mudaram de posição. O ministério continuava desunido e estava se inclinando menos para a esquerda. Georges Boulanger permaneceu no Ministério da Guerra, apesar da relutância dos moderados (ou oportunistas) - o próprio Goblet não é muito popular.[1]

O gabinete foi particularmente marcado pelo "Caso Schnæbelé", em abril de 1887, quando discursos beligerantes de Boulanger quase causaram um incidente diplomático com a Alemanha, apaziguado graças a intervenção do Presidente da República, Jules Grévy. Além disso, radicais e moderados não queriam mais compor um governo de coalizão, mas não havia maioria para formar um gabinete mais independente. Ao contrário, somente com a união da coalizão republicana com a direita é que o governo conseguiu aprovar um novo orçamento, com 275 votos a favor e 257 contra.[1]

Diante desse cenário, Goblet apresentou sua renúncia à Grevy em maio de 1887. O Presidente, contudo, se encontrava em uma verdadeira crise governamental, já que um novo governo de coalizão é quase impossível. Cerca de doze pessoas foram chamadas para formar um gabinete, sem resultados. Em meio a essa crise, a popularidade de Boulanger crescia, sendo apoiado por parte dos radicais. Os moderados, então, apoiados pela imprensa liberal, se opõem ao retorno do general a qualquer cargo executivo, certos de que ele preparava um golpe de Estado iminente.[1]

Um novo governo acabou por se formar a partir de uma aliança entre Maurice Rouvier e a direita, que aceitou apoiá-lo em troca de uma política muito mais moderada em relação ao anticlericalismo e ao fim da discriminação contra os católicos no serviço público, além de favores ministeriais, o que gerou a oposição ferrenha dos radicais.[1]

  • Presidente da República: Jules Grévy
  • Presidente do Conselho de Ministros: René Goblet
  • Ministro dos Estrangeiros: Émile Flourens
  • Ministro da Justiça: Ferdinand Sarrien
  • Ministro do Interior e Cultos: René Goblet
  • Ministro da Guerra: Georges Boulanger
  • Ministro das Finanças: Albert Dauphin
  • Ministro da Marinha: Théophile Aube
  • Ministro da Instrução Pública: Marcellin Berthelot
  • Ministro das Obras Públicas: Édouard Millaud
  • Ministro da Agricultura: Jules Develle
  • Ministro do Comércio e Indústria: Édouard Lockroy
  • Ministro dos Correios e Telégrafos: Félix Granet
  • JOLY, Bertrand. Aux origines du populisme: histoire du boulangisme. Paris: CNRS Éditions, 2022.
  1. a b c d «« Aux origines du populisme. Histoire du boulangisme (1886-1891) », de Bertrand Joly : quand la République tenait bon» (em francês). 9 de fevereiro de 2022: 188-215. Consultado em 7 de abril de 2025