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Estação Ferroviária de Mangualde

Mangualde
Identificação: 48009 MAN (Mangualde)[1]
Denominação: Estação de Concentração de Mangualde
Administração: Infraestruturas de Portugal (até 2020: centro;[2] após 2020: sul)[3]
Classificação: EC (estação de concentração)[1]
Tipologia: C [2]
Linha(s): Linha da Beira Alta (PK 128+509)
Altitude: 449.3 m (a.n.m)
Coordenadas: 40°35′11.71″N × 7°45′36.91″W


(=+40.58659;−7.76025)

Mapa

mapa da Linha da Beira Alta, mostrando
a localização da estação de Mangualde
(mais mapas: 40° 35′ 11,71″ N, 7° 45′ 36,91″ O; IGeoE)
Município: MangualdeMangualde
Serviços: R IC Sud Lus
Conexões:
Ligação a autocarros
Ligação a autocarros
11 12 706 CPbus
Serviço de táxis
Serviço de táxis
MGL
Equipamentos: Bilheteiras e/ou máquinas de venda de bilhetes Telefones públicos Sala de espera Caixas de correio Acesso para pessoas de mobilidade reduzida Lavabos Lavabos adaptados
Endereço: Rua da Estação, s/n
Cubos
PT-3530-126 Mangualde
Inauguração: 1 de julho de 1882 (há 143 anos)
Website:
 Nota: Para outras interfaces ferroviárias com nomes semelhantes ou relacionados, veja Estação Mangueira (Metrorec), Estação Mangueira (SuperVia), Estação Manguinhos ou Apeadeiro de Silvalde.
Aviso de 1904 sobre serviços diretos de primeira classe entre Mangualde e Lisboa.

A estação ferroviária de Mangualde é uma gare da Linha da Beira Alta que serve a cidade de Mangualde, no Distrito de Viseu, em Portugal.

autocarros antes
e depois de 2025
Ligação a autocarros
Ligação a autocarros
11 12 706
Ligação histórica a autocarros
Ligação histórica a autocarros
1105 1119 1124

1125 1126 5040

5041 5042 7833

Localização e acessos

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A estação ferroviária de Mangualde situa-se em Cubos / Mangualde-Gare, na freguesia de Mangualde, Mesquitela e Cunha Alta tendo acesso pela Rua da Estação[4][5] e distando mais de três quilómetros do centro de Mangualde (R. P.e Bernardo), via EN232, com desnível apreciável.[6]

Esta interface é servida por três carreiras da Mobi Viseu Dão Lafões, serviço introduzido em 2025, substituindo nove carreiras da Berrelhas e da Marques.[7]

Descrição física

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Aspeto da estação de Mangualde, vista de este-nordeste, em 2008.

Esta interface apresenta dez vias de circulação (identificadas como: I, I-A, I + I-A, II, II-A, II + II-A, III, III-A, III + III-A, e IV), com comprimentos entre 175 e 830 m, sendo três (I, II, e III) acessíveis por plataforma de 200 m de comprimento e 76 cm de altura; existem ainda onze vias secundárias, numeradas de V a XV, com comprimentos entre 28 e 255 m; destas vias, quatro (VII, XIII, XIV, e XV) não estão eletrificadas em toda a sua extensão.[3]

Situa-se nesta configuração, centrado ao PK 128+51 um ramal gerido pelas empresas Agremor e Secil, com tipologia «Instalação de Uso Privativo» (instalação n.º 2); junto a esta estação, centrado ao PK 125+9, situa-se ainda o SIAF - Ramal Mangualde, gerido pela Sonae Indústria, com idêntica tipologia (instalação n.º 3),[3] que serve a central de cogeração a biomassa Sonae-Arauco, com enfiamento para nascente, na direção da estação de Mangualde.[6]

O edifício de passageiros situa-se do lado noroeste da via (lado esquerdo do sentido ascendente, a Vilar Formoso).[8][9] A superfície dos carris da estação ferroviária de Mangualde no seu ponto nominal situa-se à altitude de 4493 dm acima do nível médio das águas do mar.[10]

No local desta interface há um limiar de tipologia ferroviária no que respeita ao regimes de exploração, que é do tipo RCASA (Regime de Cantonamento Automático com Sinais Avançados) no troço Mangualde-Nelas e do tipo RCI (Regime de Cantonamento Interposto) no troço Contenças-Mangualde.[3]

Em dados de 2024, esta interface é frequentada por serviços da C.P. efetuados por via rodoviária com dez circulações diária em cada sentido, entre Coimbra-B e Guarda,[11] devido às obras de requalificação da Linha da Beira Alta, iniciadas em Abril de 2022[12] e cuja conclusão está prevista para 2025.[13]

Inauguração

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A Linha da Beira Alta abriu à exploração, de forma provisória, no dia 1 de Julho de 1882, tendo a linha sido totalmente inaugurada em 3 de Agosto do mesmo ano, pela Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses da Beira Alta.[14] A estação de Mangualde constava já do elenco original de estações e apeadeiros.[10]

Horários de todos os comboios de passageiros em 1917, incluindo dois da Pampilhosa a Mangualde.

Década de 1910

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Em 1913, existiam carreiras de diligências ligando a estação a Mangualde, Vila Nova de Tazem e Viseu.[15]

Década de 1930

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Em 1932, a Companhia da Beira Alta modificou a toma de água desta estação,[16] e em 1933 modificou as retretes, instalou uma fossa tipo mouras, e substituiu uma parte do edifício em madeira do cais coberto por alvenaria, instalou portas de correr e construiu um escritório envidraçado no interior.[17] Nesse ano, também elaborou o projecto para instalar iluminação eléctrica nesta interface, de forma semelhante às de Mortágua e Fornos de Algodres.[17] Em 15 de Maio de 1934, a Companhia abriu um despacho central de camionagem na localidade de Mangualde, realizando serviços de passageiros, bagagens e mercadorias com a estação.[18] Nesse ano, foi construído um dormitório para o pessoal, reparada a casa do factor e do agulheiro, pintada a marquise da estação, e instalada a iluminação eléctrica, como estava previsto; a energia eléctrica era fornecida por um pequeno grupo motor gerador de 3 kW de potência.[19] Ainda em 1934, o chefe de estação foi premiado pela Companhia, no âmbito de um concurso de ajardinamento das estações na Linha da Beira Alta.[20]

Em 1935, a Companhia da Beira Alta também tinha uma carreia rodoviária entre a estação e Castendo, baseada no despacho de Mangualde-Vila.[21] Nesse ano, o chefe da estação recebeu quatro dias de licença no concurso dos jardins.[22] Também em 1935, foi construída uma casa para o revisor de material, e colocado o pavimento na cocheira das máquinas.[23]

Em 1939, a Companhia da Beira Alta construiu uma guarita de agulheiro junto à agulha n.º 1, uma nova serpentina em ferro galvanizado para o cilindro de aquecimento de creosoto, e uma calçada no pátio da estação e no acesso ao cais, substituiu a canalização da toma de água, e reparou 3 cróssimas com soldadura autogénia.[24]


Mangualde
Plano de 1930, incluindo uma linha entre Viseu e Espariz, a qual iria entroncar com a Linha da Beira Alta em Mangualde (marcado).


Ligação projectada a outras linhas

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Em Junho de 1889, estava a ser projectada uma linha entre Recarei, na Linha do Douro, e Mangualde, seguindo pelo vale do Rio Paiva e passando por São Pedro do Sul e Viseu.[25]

No Plano da Rede ao Norte do Mondego, decretado no dia 1 de Março de 1900, o projecto já existente para uma linha de Lamego a Viseu foi prolongado até Mangualde.[26]

Em 1907, foi classificado o Plano da Rede Complementar do Centro, onde uma das linhas projectadas ligava Mangualde a Gouveia.[27]

Durante a fase de planeamento do Plano da Rede, nos finais da Década de 1920, as autoridades militares defenderam a construção de uma linha de via larga que saía de Viseu e passava por Mangualde, Gouveia, e Seia, terminando em Espariz, onde se ligaria ao prolongamento do Ramal da Lousã até Santa Comba Dão.[28][29] Esta linha foi inserida como via estreita no Plano Geral da Rede Ferroviária, publicado pelo Decreto n.º 18190, de 28 de Março de 1930.[28]

Anúncio publicitário de José de Almeida Azevedo, que operava uma carreira de transporte de passageiros e mercadorias entre a estação e a vila de Mangualde em 1943

Transição para a CP

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Em 1 de Janeiro de 1947, a Companhia da Beira Alta foi integrada na Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, que passou a explorar a Linha da Beira Alta.[30]

No dia 1 de Junho de 1949, a CP colocou ao serviço uma automotora entre Mangualde e Coimbra.[31]

Década de 1990

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O projecto de modernização da Linha da Beira Alta, levado a cabo pela operadora Caminhos de Ferro Portugueses na Década de 1990, teve em vista a renovação e a electrificação da via, e a remodelação e ampliação das estações; no caso de Mangualde, foi recuperado o edifício principal, e construído um terminal de mercadorias.[32]

Em Janeiro de 2011, contava com quatro vias de circulação, com comprimentos entre os 258 e 376 m; as plataformas tinham 335 e 366 m de extensão, e 70 e 40 cm de altura[33] — valores mais tarde[quando?] ampliados para os atuais.[3]

Referências

  1. a b (I.E.T. 50/56) 56.º Aditamento à Instrução de Exploração Técnica N.º 50 : Rede Ferroviária Nacional. IMTT, 2011.10.20
  2. a b Diretório da Rede 2021. IP: 2019.12.09
  3. a b c d e Diretório da Rede 2025. I.P.: 2023.11.29
  4. «Mangualde - Linha da Beira Alta». Infraestruturas de Portugal. Consultado em 28 de Novembro de 2016 
  5. «Mangualde». Comboios de Portugal. Consultado em 29 de Novembro de 2016 
  6. a b «Cálculo de distância rodoviária (40,58676; −7,76029 → 40,60648; −7,76466)». OpenStreetMaps / GraphHopper. Consultado em 22 de agosto de 2025 : 3140 m: desnível acumulado de +115−25 m
  7. Canal, Porto (11 de julho de 2024). «Novo operador de transportes arranca até 2025 na região Viseu Dão Lafões». Porto Canal. Consultado em 22 de maio de 2025 
  8. (anónimo): Mapa 20 : Diagrama das Linhas Férreas Portuguesas com as estações (Edição de 1985), CP: Departamento de Transportes: Serviço de Estudos: Sala de Desenho / Fergráfica — Artes Gráficas L.da: Lisboa, 1985
  9. Diagrama das Linhas Férreas Portuguesas com as estações (Edição de 1988), C.P.: Direcção de Transportes: Serviço de Regulamentação e Segurança, 1988
  10. a b (anónimo): “Caminho de Ferro da Beira AltaDiario Illustrado 3307 (1882.07.24)
  11. Horário Comboios : Lisboa ⇄ Guarda / Coimbra / Vilar Formoso («Horário em vigor desde 30 junho 2024»). Esta informação refere-se aos dias úteis.
  12. Ferreira, Nuno Andre (15 abril 2022). «Circulação na Linha da Beira Alta cortada a partir de terça-feira». Observador. Consultado em 4 de junho de 2022. Cópia arquivada em 4 de junho de 2022 
  13. «Linha da Beira Alta: obras terminam em junho mas reabertura vai aguardar certificação» 
  14. TORRES, Carlos Manitto (16 de Março de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 71 (1686). p. 133-140. Consultado em 5 de Fevereiro de 2014 
  15. «Serviço de Diligencias». Guia official dos caminhos de ferro de Portugal. 39 (168). Outubro de 1913. p. 152-155. Consultado em 3 de Março de 2018 
  16. «O que se fez nos Caminhos de Ferro em Portugal no Ano de 1932» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 46 (1081). 1 de Janeiro de 1932. p. 10-14. Consultado em 28 de Outubro de 2012 
  17. a b «O que se fez nos Caminhos de Ferro em Portugal no Ano de 1933» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1106). 16 de Janeiro de 1934. p. 49-52. Consultado em 28 de Outubro de 2012 
  18. «Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses da Beira Alta» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 46 (1115). 1 de Junho de 1934. p. 297. Consultado em 28 de Outubro de 2012 
  19. «O que se fez nos caminhos de ferro em Portugal, em 1934» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1129). 1 de Janeiro de 1935. p. 27-29. Consultado em 27 de Outubro de 2012 
  20. «Linha da Beira Alta» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 46 (1120). 16 de Agosto de 1934. p. 418. Consultado em 29 de Novembro de 2016 
  21. «Companhia dos Caminhos de Ferro da Beira Alta: Despachos Centrais» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1142). 16 de Julho de 1935. p. 310. Consultado em 29 de Novembro de 2016 
  22. «Ajardinamento das estações da Linha da Beira Alta» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1144). 16 de Agosto de 1935. p. 356. Consultado em 29 de Novembro de 2016 
  23. «Os Nossos Caminhos de Ferro em 1935» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 48 (1153). 1 de Outubro de 1935. p. 5-9. Consultado em 3 de Fevereiro de 2013 
  24. «O que se fez em caminhos de ferro no ano de 1939» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 52 (1249). 1 de Janeiro de 1940. p. 35-40. Consultado em 30 de Novembro de 2016 
  25. «Efemérides» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 51 (1225). 1 de Janeiro de 1939. p. 43-48. Consultado em 29 de Novembro de 2016 
  26. «Há 50 anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1493). 1 de Março de 1950. p. 854. Consultado em 30 de Novembro de 2016 
  27. SOUSA, José Fernando de (1 de Junho de 1935). «A Crise Actual de Viação e os nossos Caminhos de Ferro de Via Estreita» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1139). p. 235-237. Consultado em 29 de Novembro de 2016 
  28. a b PORTUGAL. Decreto n.º 18190, de 28 de Março de 1930. Ministério do Comércio e Comunicações - Direcção Geral de Caminhos de Ferro - Divisão Central e de Estudos - Secção de Expediente. Publicado no Diário do Governo n.º 83, Série I, de 10 de Abril de 1930.
  29. SOUSA, José Fernando de (1 de Março de 1935). «"O Problema da Defesa Nacional" pelo Coronel Raúl Esteves» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1133). p. 101-103. Consultado em 29 de Novembro de 2016 
  30. REIS et al, p. 62-63
  31. «Linhas portuguesas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1476). 16 de Junho de 1949. p. 435. Consultado em 30 de Novembro de 2016 
  32. MARTINS et al, p. 202
  33. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado: O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
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Ligações externas

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