Amarante
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a estação de Amarante, em 1993 | |||
Identificação: | 13136 AME (Amarante)[1] | ||
Denominação: | Estação de Amarante | ||
Classificação: | E (estação)[1] | ||
Linha(s): | Linha do Tâmega (PK 12+770) | ||
Altitude: | 109 m (a.n.m) | ||
Coordenadas: | 41°16′23.92″N × 8°5′0.36″W (=+41.27331;−8.08343) | ||
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Município: | ![]() | ||
Inauguração: | 20 de março de 1909 (há 116 anos) | ||
Encerramento: | 25 de março de 2009 (há 16 anos) | ||
Website: |
A estação ferroviária de Amarante é uma interface encerrada da Linha do Tâmega, que servia a cidade de Amarante, no Distrito do Porto, em Portugal.
História
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Planeamento e entrada ao serviço
[editar | editar código fonte]As primeiras tentativas para trazer um caminho de ferro na região do Tâmega foram feitas na segunda metade do século XIX.[2] Entre 1876 e 1878, a Associação dos Engenheiros Civis feito um estudo da rede ferroviária, tendo defendido a construção de várias vias férreas, incluindo uma que sairia da Linha do Douro e iria até Chaves, servindo várias localidades pelo caminho, incluindo Amarante.[3] Em 1879, o Ministro das Obras Públicas, Lourenço de Carvalho, apresentado uma proposta de lei para a construção de várias linhas férreas, incluindo um ramal da Linha do Douro até Cavez, passando por Amarante.[2]
Em 1898, a comissão técnica que tinha sido encarregada de estudar o Plano da Rede Complementar ao Norte do Mondego propôs a construção de vários vias férreas, incluindo a linha de via estreita do Vale do Tâmega.[2] Assim, este empreendimento foi inserido no Plano da Rede, quando este foi publicado por um decreto de 15 de Fevereiro de 1900, tendo-se estabelecido que seria de via estreita, e que deveria ligar Livração, na Linha do Douro, a Cavez, passando por Amarante e Chaves.[2] Em finais desse ano, foi realizado um inquérito administrativo para a apreciação do público sobre as linhas que faziam parte do Plano da Rede, incluindo o da Linha do Vale do Tâmega, cujo percurso já tinha sido alterado, que desta vez deveria iniciar-se em Caíde, e terminar no prolongamento da Linha de Guimarães até Chaves, mantendo-se a passagem por Amarante.[4] No início do mandato do Conde de Paçô Vieira na pasta das Obras Públicas, este deu um novo impulso à construção de linhas férreas, utilizando os recursos do da Administração dos Caminhos de Ferro do Estado e do Fundo Especial de Caminhos de Ferro.[2] Uma das linhas que foram beneficiadas foi a do Tâmega, tendo uma portaria de 9 Março de 1903 ordenado que fosse feito o projecto para esta linha.[2] Porém, nesta altura voltou a surgir a ideia de mudar o ponto inicial da linha para Caíde, de forma a melhor servir Lixa, em detrimento de Amarante, mas estudos posteriores demonstraram que este traçado era inviável.[2]
A construção da Linha do Tâmega iniciou-se em Março de 1905, tendo o primeiro lanço, entre Livração e Amarante, sido inaugurado a a 20 de Março de 1909.[2] Este troço, com cerca de 12,8 km de comprimento, teve um custo de 352 mil réis.[2] O tramo seguinte, até Chapa, entrou ao serviço em 22 de Novembro de 1926.[5]

Aquando da cerimónia de inauguração do troço de Chapa a Celorico de Basto, em 20 de Março de 1932, o comboio inaugural parou na estação de Amarante, onde foi recebido pela multidão, e pelos Bombeiros Voluntários.[6] Em 15 de Janeiro de 1949, entrou ao serviço o troço até Arco de Baúlhe, tendo o comboio inaugural sido acolhido em Amarante com uma banda de música, e o presidente da Câmara Municipal cumprimentou o Ministro das Comunicações.[7]
No XIII Concurso das Estações Floridas, organizado em 1954 pela Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses e pelo Secretariado Nacional de Informação, a estação de Amarante recebeu um diploma de menção honrosa especial e um prémio de persistência.[8]

Declínio e encerramento
[editar | editar código fonte]Em 2 de Janeiro de 1990, foi suspensa a circulação dos comboios entre Arco de Baúlhe e Amarante, como parte de um programa de reestruturação da empresa Caminhos de Ferro Portugueses,[9] tendo este lanço sido encerrado devido ao reduzido movimento.[10]
Em 21 de Março de 2009, a autarquia de Amarante organizou um serviço especial para celebrar os 50 anos da chegada do transporte ferroviário àquela localidade; na estação, teve lugar uma exposição de fotografia, tendo sido colocada uma placa comemorativa do evento.[11] No dia 25 de Março do mesmo ano, o troço entre Livração e Amarante, que ainda se mantinha em serviço, foi encerrado para se proceder a obras de beneficiação, com uma duração estimada de dois anos.[12][13][10] Foi criado um serviço alternativo, por via rodoviária[14], que foi suspenso em 31 de Dezembro de 2011.[15]
Em 30 de Abril de 2011, foi inaugurada a Ecopista do Tâmega, que utiliza o antigo canal da via férrea entre Amarante e Arco de Baúlhe.[16]
Em 2025, foi aprovada uma candidatura da Câmara Municipal de Amarante a fundos comunitários, para a realização de obras de expansão e restauro da antiga estação ferroviária.[17] Esta candidatura, no valor de três milhões de Euros, foi apresentada no âmbito do programa comunitário NORTE 2030, e seria financiada pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.[17] Desta forma, a autarquia pretendia dar uma nova vida à antiga gare, de forma a preservar um dos espaços de maior importância na cidade, e ao mesmo tempo promover a sua reutilização do ponto de vista público e cultural.[17] Assim, o edifício da estação seria convertido num espaço multifuncional, que poderia ser utilizado por instituições de ensino, e por várias iniciativas culturais e cívicas, enquanto que a área em redor seria alvo de arranjo paisagístico.[17]
Ver também
[editar | editar código fonte]- Comboios de Portugal
- Infraestruturas de Portugal
- Transporte ferroviário em Portugal
- História do transporte ferroviário em Portugal
Referências
- ↑ a b (I.E.T. 50/56) 56.º Aditamento à Instrução de Exploração Técnica N.º 50 : Rede Ferroviária Nacional. IMTT, 2011.10.20
- ↑ a b c d e f g h i SOUSA, José Fernando de (1 de Abril de 1932). «A Linha do Tamega» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 45 (1063). Lisboa. p. 153-155. Consultado em 24 de Janeiro de 2014 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ SOUSA, José Fernando de (16 de Setembro de 1941). «Comunicações em Trás-os-Montes» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 53 (1290). Lisboa. p. 462. Consultado em 14 de Janeiro de 2023 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ «Há 50 anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 61 (1466). Lisboa. 16 de Janeiro de 1949. p. 112. Consultado em 3 de Novembro de 2014 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ «Troços de linhas férreas portuguesas abertas à exploração desde 1856, e a sua extensão» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 69 (1652). Lisboa. 16 de Outubro de 1956. p. 528-530. Consultado em 20 de Novembro de 2014 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ ORNELLAS, Carlos D' (1 de Abril de 1932). «Um Novo Melhoramento Ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 45 (1063). Lisboa. p. 161-165. Consultado em 24 de Janeiro de 2014 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ «Novos melhoramentos ferroviários» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 61 (1467). Lisboa. 1 de Fevereiro de 1949. p. 123-129. Consultado em 3 de Novembro de 2014 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ «XIII Concurso das Estações Floridas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 67 (1608). Lisboa. 16 de Dezembro de 1954. p. 365. Consultado em 8 de Outubro de 2017 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ «CP encerra nove troços ferroviários». Diário de Lisboa. Ano 69 (23150). Lisboa: Renascença Gráfica. 3 de Janeiro de 1990. p. 17. Consultado em 6 de Janeiro de 2021 – via Casa Comum / Fundação Mário Soares
- ↑ a b «Linha do Tâmega: Crónica de uma ferrovia de "vida estreita"». O Basto. 3 de Março de 2014. Consultado em 21 de Novembro de 2014. Arquivado do original em 28 de Fevereiro de 2017
- ↑ «AMARANTE: Concelho comemorou Centenário da chegada do comboio». Correio do Marão. 25 de Março de 2009. Consultado em 26 de Dezembro de 2016. Arquivado do original em 1 de junho de 2010
- ↑ «Linha do Tâmega e Linha do Corgo». Rede Ferroviária Nacional. Julho de 2009. Consultado em 26 de Dezembro de 2016. Arquivado do original em 7 de novembro de 2009
- ↑ «Suspensão da Circulação - Linhas do Tâmega e Corgo». Rede Ferroviária Nacional. Março de 2009. Consultado em 26 de Dezembro de 2016. Arquivado do original em 24 de junho de 2009
- ↑ «L. Corgo e L. Tâmega - interrupção da circulação». Comboios de Portugal. 17 de Maio de 2010. Consultado em 26 de Dezembro de 2016. Arquivado do original em 15 de abril de 2009
- ↑ «Amarante: Transportes alternativos à antiga linha do Tâmega terminam a 31 de dezembro». Expresso. 28 de Dezembro de 2011. Consultado em 26 de Dezembro de 2016
- ↑ «Ecopista do Tâmega». Rede Ferroviária Nacional. Consultado em 26 de Dezembro de 2016. Arquivado do original em 29 de novembro de 2014
- ↑ a b c d PRAÇA, Ana Mario (16 de Agosto de 2025). «Antiga estação de comboios de Amarante vai receber investimento superior a 3 milhões de euros». Novum Canal. Consultado em 21 de Agosto de 2025
Bibliografia
[editar | editar código fonte]- SILVA, José; RIBEIRO, Manuel (2008). Os Comboios em Portugal. Do Vapor à Electricidade. Volume 1 3.ª ed. Lisboa: Terramar. 160 páginas. ISBN 9789727104109
Ligações externas
[editar | editar código fonte]- “Diagramas Linha do Tâmega” O Guarda Freio: diagrama desta estação em 1970
- «Galeria de fotografias da Estação de Amarante, no sítio electrónico Railfaneurope» (em inglês)
- «Página sobre a Estação de Amarante, no sítio electrónico Wikimapia»