


O espigueiro — também chamado canastro, caniço, piorno ou hórreo[1] – é uma estrutura característica do noroeste da Península Ibérica, construída em pedra ou em pedra e madeira, geralmente retangular e assente sobre pilastras ou colunas. Tem a função de armazenar as espigas de milho, promovendo a sua secagem através de fissuras laterais e resguardando-as dos animais, designadamente de pássaros e roedores.[2]
Como o milho requer que seja colhido no outono, este precisa de estar o mais arejado possível para secar numa estação tão adversa como o inverno.
Em Portugal, encontram-se principalmente na Região do Norte, em particular no Minho, Beira Litoral, Beira Interior e oeste de Trás-os-Montes. O maior espigueiro português encontra-se em Carrazedo, freguesia de Bucos, município de Cabeceiras de Basto.[3]
Em Espanha, existem estruturas idênticas em Navarra, Astúrias, Cantábria, na província de León e, especialmente, na Galiza, onde recebem o nome de hórreos.[4]
Também existem construções muito semelhantes na Escandinávia, designadamente na Noruega — onde são chamados stabbur — e na Suécia — chamados härbre.
Influência sueva
[editar | editar código fonte]Embora sejam bastante escassos os vestígios arqueológicos, incluem-se entre estes uma urna funerária em forma de celeiro, da Idade do Bronze, encontrada em Obliwitz, Lauemburgo, Pomerânia, região de origem dos antepassados dos suevos.[5]. A urna representa um espigueiro, semelhante aos actuais espigueiros do noroeste da Península Ibérica, constituindo assim uma prova da origem sueva do celeiro típico do Minho e da Galiza. Encontra-se outra prova da antiguidade deste tipo de celeiro numa iluminura dum códice do século XIII, das Cantigas de Santa Maria da Biblioteca do Escurial, onde aparecem dois espigueiros semelhantes aos que são típicos do Minho e da Galiza[6][7]
Referências
- ↑ «Significado de hórreo no Dicionário Estraviz». www.estraviz.org. Consultado em 21 de maio de 2023
- ↑ «infopédia». Consultado em 21 de maio de 2023
- ↑ Dias, Jorge; Oliveia, Ernesto Veiga de; Galhano, Fernando (21 de julho de 2020). «II. Os espigueiros portugueses». Lisboa: Etnográfica Press. Portugal de Perto: 37–166. ISBN 979-10-365-5616-6. Consultado em 21 de maio de 2023
- ↑ «Espigueiros - GALIZA». www.turismo.gal. Consultado em 21 de maio de 2023
- ↑ Dias, Veiga de Oliveira & Galhano, 1961: 209 e 256, Figura 145
- ↑ Dias, Veiga de Oliveira & Galhano, 1961: Idem, 208-209, Figura 144
- ↑ Brian F.; Larisa Semënova. «Vestígios da presença sueva no noroeste da península ibérica: na etnologia, na arqueologia e na língua». Scielo
Bibliografia
[editar | editar código fonte]- DEUS, António J. S. Afonso de. O Espigueiro na Paisagem de Oliveira de Azeméis: Análise Tipológica, Morfológica e o Contexto Urbano. Paredes: Reviver, 2003. ISBN 972-98691-7-0.
- MOURA, Armando Reis. Espigueiros de Portugal. Olhão: Parque Natural da Ria Formosa, 1993. ISBN 972-96547-0-0.
Ver também
[editar | editar código fonte]Ligações externas
[editar | editar código fonte]- Os espigueiros (nota etnográfica)
- Colheita e conservação do milho-grão
- Espigueiros em Fafe
- Espigueiros na Galiza (em Espanhol)
- Percurso dos espigueiros em Oliveira de Azeméis
- Rota dos espigueiros em Fafe