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Diana Conti

Diana Conti
Diana Conti
Conti em 2017
Deputada Nacional
Período 10 de dezembro de 2005 – 10 de dezembro de 2017
10 de dezembro de 1997 – 10 de dezembro de 1999
Conselheira da Magistratura
Período 10 de dezembro de 2006 – 10 de dezembro de 2010
Senadora Nacional
Período 3 de julho de 2002 – 10 de dezembro de 2005
Antecessor Raúl Alfonsín
Sucessor Hilda González de Duhalde
Subsecretária de Direitos Humanos
Período 10 de dezembro de 1999 – 20 de janeiro de 2001
Sucessor Oscar Luján Fappiano
Dados pessoais
Nome completo Diana Beatriz Conti
Nascimento 29 de março de 1956
Buenos Aires,  Argentina
Morte 8 de março de 2024 (67 anos)
Nacionalidade Argentina
Alma mater Universidade de Buenos Aires
Partido Partido Comunista Revolucionário (até 1994)
Partido da Vitória (2003–2024)
Profissão Advogada

Diana Beatriz Conti (Buenos Aires, 29 de março de 1956 – Buenos Aires, 8 de março de 2024) foi uma advogada e política argentina.[1][2] Foi membro do Congresso da Nação Argentina como deputada nacional (1997–1999; 2005–2017) e como senadora (2002–2005). Também atuou como subsecretária de Direitos Humanos na administração de Fernando de la Rúa de 1999 a 2001 e como membro do Conselho da Magistratura (nomeada pela Câmara dos Deputados) de 2006 a 2010, onde ganhou destaque como defensora ferrenha das propostas de reforma judicial proposta pela presidente Cristina Kirchner.

Apoiadora de longa data de Cristina Kirchner e de Néstor Kirchner, Conti foi líder do Frente para a Vitória, membro fundador da coalizão kirchnerista Frente para a Vitória e, posteriormente, parte da Frente de Todos.[3]

Primeiros anos

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Diana Conti nasceu em 1956 em Buenos Aires, capital da Argentina. Seu pai, Horacio Conti, era um vendedor ambulante, enquanto sua mãe, Martha Bascuas, era professora de inglês.[4] Durante o ensino médio, ela foi membro ativo do Partido Comunista Revolucionário (PCR).[5]

Conti estudou psicologia social na Escola Pichon-Rivière e trabalhou como voluntária no Hospital Borda [en], passando depois a estudar direito na Universidade de Buenos Aires (UBA), onde obteve sua licenciatura em 1980.[4] Posteriormente, montou seu próprio escritório de advocacia.[4]

Trabalho no judiciário

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Conti tornou-se assistente de gabinete do ministro da justiça em 1991 e ocupou vários cargos administrativos em Buenos Aires até 1994, quando partiu para Santa Fé, onde trabalhou como assistente jurídica de Eugenio Raúl Zaffaroni durante um mês. Em 16 de março daquele ano, ela conseguiu um emprego como secretária do departamento de direitos penais e criminologia da Universidade de Buenos Aires, de modo que viajar diariamente entre Buenos Aires e Santa Fé tornou-se um fardo para Conti, que decidiu deixar seu emprego em Santa Fé depois de apenas um mês trabalhando lá.[6]

Início da carreira política

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Conti foi nomeada subsecretária de direitos humanos em 12 de dezembro de 1997, o que a levou a renunciar a seu emprego na UBA para se concentrar em seu novo cargo.[7] No dia 26 de dezembro de 2001, Conti deixou o cargo, com o objetivo de se tornar subsecretária de reforma institucional e fortalecimento nacional da democracia na Argentina (cargo próximo do Chefe de Gabinete), cargo para o qual foi nomeada em 23 de janeiro de 2002.[6]

Na eleição legislativa de 2001, Conti concorreu a uma vaga no Senado Nacional representando a província de Buenos Aires na chapa da Frente País Solidário (Frepaso) ao lado do ex-presidente Raúl Alfonsín; a chapa da Frepaso ficou em segundo lugar e, portanto, apenas Alfonsín foi eleito para o cargo. Porém, em junho de 2002, o ex-presidente renunciou à sua cadeira no Senado, o que levou Conti a deixar a subsecretaria e assumir a cadeira vaga de Alfonsín no Senado.[8] Apesar de ter concorrido na chapa da Frepaso, Conti permaneceu alinhada ao governo do Partido Justicialista de Eduardo Duhalde enquanto esteve no Senado até 2003,[9] quando se juntou à recém-formada Frente para a Vitória do presidente Néstor Kirchner.

Ao ingressar na nova frente, Conti juntou-se ao recém-criado Partido de la Victoria, ou Partido da Vitória, que tem se aliado a todas as alianças políticas kirchneristas formadas desde então.

Em dezembro de 2005, foi eleita deputada da província de Buenos Aires pela Frente para a Vitória e também ficou conhecida por vários atos de corrupção como membro do governo.[10]

Em 4 de fevereiro de 2010, enquanto ela defendia a presidência de Cristina Kirchner, um jornalista — José Eliaschev — disse a ela que o argumento que ela estava usando lembrava os usados pelo ditador russo Josef Stalin, e ela disse "sim, não tenho nenhum problema em ser stalinista", e o jornalista insistiu "você é apoiadora de um dos maiores assassinos do século XX, 20 milhões de pessoas assassinadas? Eu sou stalinista, assinei Diana Conti, posso registrar isso?", disse o jornalista, e Diana Conti respondeu "Sim, não tenho nenhum problema em ser stalinista, talvez seja um problema seu, não meu".[11][12]

Processo enquanto senadora

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Enquanto senadora, ela foi acusada, no ano de 2005, e inocentada das acusações, no ano de 2012, como parte da causa que foi processada perante o Tribunal Nacional Penal e Correcional nº 6 pelo Dr. Rodolfo Canicoba Corral. O processo foi emitido em virtude de uma denúncia apresentada por um ex-funcionário do Senado, Bruno Bimbi, na qual o nomeado alegou ter sido forçado a dar grande parte de seu salário sob ameaça de perder o emprego.[13]

O caso foi inicialmente indeferido pelo juiz José Codino no final de agosto de 2005, mas o tribunal de apelação reabriu um pouco mais tarde. De acordo com Bimbi, muitos dos funcionários que apareciam como funcionários da Conti nos documentos oficiais eram completamente desconhecidos para ele e para outros funcionários reais sob a direção de Diana Conti (na verdade, um deles era filho de Conti). Nas palavras de Bimbi, a primeira vez que o forçou a lhe dar o dinheiro que acabara de sacar do banco, e vendo seu rosto espantado, disse: “você pode ficar com as moedas”, palavras exatas do Sr. Bimbi. Essas declarações foram descartadas no julgamento que foi levado adiante.[14] O resultado foi a improcedência em primeira instância e a posterior confirmação dessa decisão pela Sala número 9 do Tribunal de Apelações da Câmara Federal de Assuntos Criminais e Correcionais.[15]

Anos posteriores

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Em abril de 2006, Conti retornou para a atividade política quando iniciou uma campanha a favor de leis mais severas para punir os culpados de assédio sexual no trabalho, independentemente do gênero sexual.[16] Divorciada, Conti participou de vários seminários e clínicas de direito na Argentina.[17] Em 2012, ela fez aparições em público, como quando se referiu à possível reeleição da Presidente Cristina Kirchner.[18]

Conti morreu em 8 de março de 2024, aos 67 anos de idade.[19] Foi hospitalizada na Clínica Zabala, em Buenos Aires, com pneumonia e, nos últimos anos, vinha lutando contra o câncer.[20][21]

Referências

  1. «Argentina promoverá lei que permite mudança de sexo». G1. 19 de setembro de 2011. Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 15 de julho de 2025 
  2. «Dirigentes do kirchnerismo dizem que Cristina segue tomando decisões». Extra. 9 de outubro de 2013. Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 11 de outubro de 2013 
  3. Figueiredo, Janaína (26 de setembro de 2015). «Scioli já é visto no kirchnerismo como candidato de transição». O Globo. Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 31 de janeiro de 2016 
  4. a b c «Diana Conti: una cruzada K en la Justicia». La Nación (em espanhol). 6 de maio de 2007. Consultado em 14 de julho de 2025. Cópia arquivada em 19 de janeiro de 2025 
  5. Pérez, Micaela (28 de dezembro de 2012). «Primer soldado de la eternidad K». Cronista (em espanhol). Consultado em 14 de julho de 2025. Cópia arquivada em 26 de novembro de 2024 
  6. a b «Diana Beatriz Conti» (PDF). Consultado em 14 de julho de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 10 de janeiro de 2025 
  7. «Diana Conti, en Justicia». La Nación (em espanhol). 4 de janeiro de 2000. Consultado em 14 de julho de 2025. Cópia arquivada em 19 de janeiro de 2025 
  8. «La renuncia textual de Alfonsín». Parlamentario (em espanhol). 26 de junho de 2002. Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 26 de novembro de 2024 
  9. «Oficialista aunque cambie el gobierno». Página/12 (em espanhol). 26 de junho de 2002. Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 26 de novembro de 2024 
  10. «Murió a los 67 años Diana Conti, ex diputada y senadora peronista». elDiarioAR (em espanhol). 8 de março de 2024. Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 15 de março de 2025 
  11. «Diana Conti: "Soy stalinista"». Los Andes. 4 de fevereiro de 2010. Consultado em 19 de fevereiro de 2012. Arquivado do original em 19 de fevereiro de 2012 
  12. «La diputada Diana Conti admitió ser stalinista: ¿Qué fue el Stalinismo?». Derechos Humanos y Solidaridad Democrática Internacional (em espanhol). 8 de fevereiro de 2010. Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 20 de junho de 2025 
  13. Lopez, Vicente (20 de abril de 2014). «Diana Conti, sobreseída en causa que investigaba si se quedó con el sueldo de ex empleado». Infoban. Consultado em 20 de abril de 2014. Arquivado do original em 20 de abril de 2014 
  14. «Bruno Bimbi explicó cómo Diana Conti se habría quedado con parte del sueldo de su asesor». Perfil (em espanhol). 3 de agosto de 2009. Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 23 de maio de 2025 
  15. «Juez y parte: El abogado de Conti es auditor en el Consejo de la Magistratura». www.lapoliticaonline.com (em espanhol). 4 de agosto de 2009. Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 15 de julho de 2025 
  16. «Incluirían en el Código Penal la figura del acoso sexual». infobae (em espanhol). 14 de outubro de 2017. Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 15 de julho de 2025 
  17. «Diana Conti, presidenta del partido de Ameri, habló de las acusaciones por acoso que tenía el diputado». La Nación (em espanhol). 25 de setembro de 2020. Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 24 de março de 2025 
  18. «Diana Conti: "El liderazgo de Cristina es intransferible"». Perfil.com. 30 de janeiro de 2012. Consultado em 26 de setembro de 2013. Arquivado do original em 26 de setembro de 2013 
  19. «Murió Diana Conti». El Dia (em espanhol). 8 de março de 2024. Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 3 de abril de 2024 
  20. «Murió la ex diputada ultracristinista Diana Conti, a los 67 años». Clarín (em espanhol). 8 de março de 2024. Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 15 de julho de 2025 
  21. «Falleció Diana Conti, exdiputada kirchnerista». Diario Nova (em espanhol). 8 de março de 2024. Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 15 de julho de 2025