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Crise de Timor-Leste de 1999

Crise de Timor-Leste de 1999
Ocupação indonésia de Timor-Leste

Destruição em Díli.
DataAbril de 1999 – 2005[1][2]
LocalTimor-Leste
DesfechoVitória timorense
Beligerantes
Timor-Leste
Força Internacional para Timor-Leste
Administração Transitória das Nações Unidas em Timor-Leste
Indonésia Milícia pró-Indonésia

Apoio:

Comandantes
Austrália John Howard
Austrália Peter Cosgrove
Austrália Jenny Shipley
Nova Zelândia Helen Clark
Nova Zelândia Carey Adamson
Brasil Sérgio Vieira de Mello
Portugal Paulo Pereira Guerreiro †[13][14]
Indonésia Wiranto
Eurico Guterres
Forças
11 000 militar e policial[15]
13 000 milícia pró-indonésia[16]
Baixas
Lista completa:
  • 17-24 mortos (pessoal da UNTAET)[17][18]
    49 funcionários da ONU e ONGs presos foram posteriormente libertados[19]
Lista completa:
1.400 civis morreram
220.000+ refugiados[23]
3 funcionários do ACNUR mortos[24]
15 funcionários da UNAMET mortos[25]
2 jornalistas foram mortos[26]
1 soldado indonésio morto[27]
1 policial indonésio morto[28]

A crise em Timor-Leste de 1999 decorreu do referendo de independência deste país perante a Indonésia realizado no mesmo ano. As forças de oposição à independência atacaram civis e criaram uma situação de violência generalizada em toda a região, principalmente na capital, Díli.[29] Em resposta aos incidentes, que mataram cerca de 1 400 pessoas, a Organização das Nações Unidas implantou a Força Internacional para Timor-Leste, formada principalmente por membros do Exército Australiano.

Antecedentes: referendo

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Em 1999, o governo indonésio decidiu, sob forte pressão internacional, realizar um referendo sobre o futuro de Timor-Leste. Portugal, desde a invasão indonésia do território de sua antiga colônia, Timor-Leste, pressionava pela independência na União Europeia e internacionalmente. O referendo, realizado a 30 de agosto de 1999, deu uma clara maioria (78,5%) a favor da independência, rejeitando a proposta alternativa de Timor-Leste ser uma província autónoma, mas parte da Indonésia,[29]conhecida como a Região Autónoma Especial de Timor-Leste (RAETL).

Imediatamente após a publicitação dos resultados da votação, as forças paramilitares pró-indonésias de Timor-Leste, apoiadas, financiadas e armadas pelos militares e soldados indonésios realizaram uma campanha de violência e terrorismo de retaliação pelo resultado.[29] Cerca de 1 400 timorenses foram mortos e 300 000 timorenses foram forçados a deslocar-se para Timor Ocidental, a parte indonésia da ilha de Timor, como refugiados. A maioria da infraestrutura do país, incluindo casas, escolas, igrejas, bancos, sistemas de irrigação, sistemas de abastecimento de água e quase 100% da rede elétrica do país foram destruídos. Segundo Noam Chomsky: "Num mês, a grande operação militar assassinou cerca de 2 000 pessoas, estuprou centenas de mulheres e meninas, deslocou três quartos da população e destruiu 75% das infraestruturas do país."[30]

Força Internacional para Timor-Leste

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Em todo o mundo, especialmente em Portugal, Austrália e Estados Unidos, os ativistas pressionaram os seus governos para tomarem medidas, e o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, ameaçou a Indonésia com sanções económicas, como a retirada dos empréstimos do Fundo Monetário Internacional.[31] O governo da Indonésia aceitou retirar as suas tropas e permitir que uma força multinacional no território para estabilização.[32] Ficou claro que a ONU não tinha recursos suficientes para combater as forças paramilitares diretamente. Em vez disso, a ONU autorizou a criação de uma força militar multinacional conhecida como Força Internacional para Timor-Leste (InterFET), com a Resolução 1264. A 20 de setembro de 1999 as tropas de paz da Força Internacional para Timor-Leste (InterFET), liderada pela Austrália, foram implantadas no país, o que pacificou a situação rapidamente.

As tropas da InterFET eram provenientes de vinte países, sendo cerca de 9 900 no total, no início; destes, 5 500 vieram da Austrália, da Nova Zelândia vieram 1 100 e ainda houve contingentes da Alemanha, Bangladexe, Brasil, Canadá, Coreia do Sul, Estados Unidos da América, Filipinas, França, Irlanda, Itália, Malásia, Noruega, Paquistão, Portugal, Quénia, Reino Unido, Singapura e Tailândia. A força foi conduzida pelo major-general Peter Cosgrove. As tropas desembarcam em Timor-Leste a 20 de setembro de 1999.

Referências

  1. «Past ISG deployments». New Zealand Police 
  2. Guardian Staff (31 de julho de 2005). «The Editor briefing». The Guardian 
  3. a b «53. Indonesia/East Timor (1976-2002)». uca.edu 
  4. «BBC News | Asia-Pacific | Military sanctions against Indonesia». news.bbc.co.uk 
  5. «U.S. Removes Six-Year Embargo Against Indonesia». Associated Press. 25 março 2015 
  6. «Britain sells weapons to Indonesia after 13 year hiatus». The Telegraph 
  7. «EU Arms Embargo to Indonesia Lifted Despite Worsening Situation in the Archipelago». Transnational Institute. 17 de novembro de 2005 
  8. «BBC News | ASIA-PACIFIC | EU lifts arms embargo on Indonesia». news.bbc.co.uk 
  9. Cross, Lyle. «East Timor: A Case Study in C4I Innovation». US Navy Information Technology Magazine. Department of Navy (US). Consultado em 26 de maio de 2022 
  10. «East Timor and Australia's Security Role: Issues and Scenarios» 
  11. «UNMISET: United Nations Mission of Support in East Timor - Facts and Figures». peacekeeping.un.org 
  12. a b c d e «UNTAET Fact Sheet 18: Peacekeeping Force». OCHA. 28 de fevereiro de 2002. Consultado em 26 de maio de 2022 
  13. «East Timor mourns death of UN peacekeeping force's top military observer». UN News. 9 de setembro de 2002 
  14. «COMANDANTE MORRE EM TIMOR». cmjornal. 9 de setembro de 2002 
  15. «UNSC Authorizes UN Troops for East Timor» 
  16. «Former East Timor Pro-Integration Militias Demand Compensation». Tempco.co. 27 de setembro de 2017. Consultado em 12 de novembro de 2020 
  17. «Facts and figures». United Nations. 31 de Março de 2002. Consultado em 23 de janeiro de 2023 
  18. «United Nations peacekeeping» (PDF). peacekeeping.un.org. Fatalities by Nationality and Mission up to 3/31/2021 11:59:59 pm. Consultado em 22 de julho de 2025 
  19. «The untold story of the daring NZ SAS mission to rescue UN personnel in West Timor». Stuff. 5 de setembro de 2020 
  20. „Chega!“ - Relatório da Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação (CAVR)
  21. Alcott, Louisa May; Smith, Michael Geoffrey; Dee, Moreen (2003). Peacekeeping in East Timor: The Path to Independence. [S.l.: s.n.] ISBN 9781588261427 
  22. «ASIANOW - Peacekeepers capture suspected elite forces in East Timor - September 28, 1999». www.cnn.com 
  23. «Remembering UNHCR colleagues killed in Atambua, West Timor, twenty years on». UNHCR. 10 de setembro de 2020. Consultado em 26 de maio de 2022 
  24. «UNHCR confirms three staff killed in West Timor attack». UNHCR. 6 de setembro de 2000. Consultado em 26 de maio de 2022 
  25. «UN commemorates those who died while in service in Timor-Leste at Gleno». UN Timor-Leste. 14 de agosto de 2019. Consultado em 10 de julho de 2025 
  26. «Attacks on the Press 1999: East Timor». Committee to Protect Journalists. 22 de março de 2000. Consultado em 26 de maio de 2022 
  27. «NZ peacekeepers kill Indonesian soldier». NZ Herald 
  28. «Interfet fires at Indonesian police near frontier post». www.irishtimes.com 
  29. a b c «Ocurrió en Timor». El País (em espanhol). 7 de setembro de 1999 
  30. Chomsky, Noam; Otero, C.P. (2003). Radical Priorities (em inglês) 3.ª ed. Edimburgo: AK Press. p. 72. ISBN 978-1902593692 
  31. Valenzuela, Javier (11 de setembro de 1999). «Annan y Clinton denuncian la anarquía en Timor y piden una rápida intervención internacional». El País (em espanhol) 
  32. García, Javier (12 de setembro de 1999). «Indonesia cede a la presión internacional». El País (em espanhol)