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Comédia de terror

Revista em quadrinhos que mistura terror e comédia.

Comédia de terror[1][2] comédia de horror ou terrir[3][4] é um gênero literário[5] e cinematográfico[6][7] que combina elementos tanto da comédia quanto do terror.[8]

O conto "A Lenda do Cavaleiro Sem-Cabeça" de Washington Irving é citado como "a primeira grande comédia de terror", pois ela faz "o leitor rir em um momento e gritar no outro" e é baseada em acontecimentos que ocorrem geralmente durante o feriado de Halloween.[9] No Brasil, o termo terrir — uma palavra-valise formada a partir de terror e rir — é tradicionalmente associado ao cineasta Ivan Cardoso, cuja obra, a partir da década de 1970, ajudou a consolidar o subgênero no cinema brasileiro.[10] No entanto, o uso da expressão antecede sua filmografia: em 1967, a Editora Taika lançou o gibi Seleções Cômicas Apresenta Terrir, que já empregava o termo em seu título.[11] A publicação contou com a participação do artista italiano Nico Rosso, conhecido por seu trabalho em histórias de horror.[12] Cardoso, leitor assíduo das revistas da Taika.[13]

Nos filmes desse gênero, o humor negro é um elemento comum. As comédias de terror proporcionam sustos ao público, no entanto concedem algo que os filmes de terror não conseguem: "a permissão para rir de seus medos, assobiar diante do cemitério cinematográfico e se sentir seguro sabendo que os monstros não podem pegá-lo."[9]

Na era do cinema mudo, as inspirações para as comédias de terror vieram do teatro ao invés da literatura. Um exemplo disso é The Ghost Breaker (1914), baseado em uma peça de 1909, cujos elementos de terror despertaram mais interessantes ao público do que os elementos de comédia. Nos Estados Unidos, após o trauma da Primeira Guerra Mundial, o público desejava ver filmes de terror, mas que também tivessem toques de humor. O "pioneiro" da comédia de terror foi One Exciting Night de D. W. Griffith, que percebeu o sucesso da peça do gênero e elaborou uma adaptação cinematográfica. Ao mesmo tempo que o filme incluía performances blackface, Griffith também usou cenas de um furacão causador de uma tempestade climática. Nos primeiros filmes, os vários gêneros não eram bem equilibrados com a comédia e o terror e apenas mais tarde esse equilíbrio foi conseguido, o que levou a abordagens mais sofisticadas.[14]

Referências

  1. «As cinco melhores comédias de terror de todos os tempos». Galileu. Consultado em 5 de março de 2013 
  2. «Assista a trecho exclusivo da comédia de terror 'A Hora do Espanto'». Terra Networks. 7 de outubro de 2011. Consultado em 5 de março de 2013 
  3. «Slasher, terrir, psicológico, sobrenatural... conheça alguns dos subgêneros do cinema de terror». cbn. 31 de outubro de 2024. Consultado em 15 de julho de 2025 
  4. «'Microssono', 'terrir': veja oito palavras que podem entrar para o vocabulário oficial da língua portuguesa». Terra. Consultado em 15 de julho de 2025 
  5. Causo, Roberto de Sousa (2003). Ficção Científica, Fantasia e Horror no Brasil: 1875 a 1950. [S.l.]: UFMG. p. 117. ISBN 978-8-570-41355-0 
  6. Araujo, Inácio (1 de novembro de 2009). «Comédia de horror evoca tradição de cinema popular que já não existe mais». Folha.com. Consultado em 5 de março de 2013 
  7. «Filme 'Gremlins' pode ganhar remake». Veja. 17 de janeiro de 2013. Consultado em 5 de março de 2013 
  8. Seger, Linda (1993). El Arte de la Adaptación: Cómo Convertir Hechos y Ficciones en Películas. [S.l.]: Rialp. p. 209. ISBN 978-843-2-12976-6 
  9. a b Hallenbeck 2009, p. 3.
  10. Abbade, Mario "Fanaticc" (29 de setembro de 2005). «A Marca do Terrir | Crítica». Omelete. Consultado em 15 de julho de 2025 
  11. Ferreira da Silva, Luciano Henrique (20 a 23 de agosto de 2013). «O terror brasileiro: um olhar sobre uma tradição popular nos quadrinhos» (PDF). Anais Eletrônicos das 2as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos. São Paulo: Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Consultado em 15 de julho de 2025  Verifique data em: |data= (ajuda)
  12. «Bigorna.net: Artigos: Nico Rosso e a Terrir». www.bigorna.net. Consultado em 15 de julho de 2025 
  13. Remier. «Ivan Cardoso: O Mestre do Terrir» (PDF). aplauso.imprensaoficial.com.br. Consultado em 23 de julho de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 12 de maio de 2024 
  14. Hallenbeck 2009, p. 5–7.