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Centenário da Independência do Brasil

Centenário da Independência do Brasil
Também chamado100 anos da Independência do Brasil
Observado porBrasil
TipoCentenário
Data1922
Relacionado aSesquicentenário da Independência do Brasil, Bicentenário da Independência do Brasil.

O Centenário da Independência do Brasil foi celebrado em 7 de setembro de 1922, marcando os 100 anos da proclamação da Independência por Dom Pedro I. As comemorações ocorreram durante o governo de Epitácio Pessoa (1919-1922), em um contexto de efervescência cultural e política, caracterizado tanto pelo ufanismo oficial quanto por críticas ao atraso brasileiro e por debates sobre a própria identidade nacional.

Contexto histórico

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As celebrações do centenário da independência ocorreram em um período de intensas transformações no Brasil. A década de 1920 foi marcada por debates sobre modernização, identidade nacional e desenvolvimento industrial. O governo de Epitácio Pessoa investiu na realização de eventos que projetassem uma imagem de progresso do país, buscando reafirmar o Brasil como uma nação moderna e inserida no contexto internacional.

Comemorações oficiais

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Exposição Internacional do Centenário

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O Rio de Janeiro, então capital federal, tornou-se o principal palco das celebrações, que tiveram como evento central a Exposição Internacional do Centenário. Esta grandiosa mostra, a maior já realizada no país até então, reuniu pavilhões de 14 nações e de todos os estados brasileiros, apresentando avanços tecnológicos e industriais da época.

A exposição também foi acompanhada por significativas transformações urbanas, como a polêmica demolição do Morro do Castelo, berço histórico da cidade, para a construção da Avenida das Nações Unidas. Essa remodelação simbolizou as tensões entre a preservação da paisagem e a modernização urbana que marcaram o período.[1]

Monumentos comemorativos

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Diferentes estados brasileiros também promoveram iniciativas comemorativas. Em São Paulo, reforçando a ideia de que o estado era o "berço da Independência", foram inaugurados o Monumento do Ipiranga e planejado o Monumento às Bandeiras, que celebrava o bandeirante como arquétipo do pioneirismo paulista. Estas iniciativas refletiam as tensões regionais e os diferentes projetos de nação em disputa.[2]

Repercussões culturais

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Semana de Arte Moderna

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Paralelamente às celebrações oficiais, emergiram manifestações culturais que questionavam os fundamentos da identidade nacional. A Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo em fevereiro de 1922, propôs uma ruptura com as tradições acadêmicas e a busca por uma expressão artística genuinamente brasileira, ainda que influenciada pelas vanguardas europeias. Este movimento, liderado por intelectuais como Mário de Andrade e Oswald de Andrade, representou uma espécie de "independência cultural" que dialogava criticamente com as comemorações oficiais.[3]

O Centenário da Independência deixou um legado significativo em diferentes áreas. A criação de instituições culturais como o Museu Histórico Nacional, inaugurado em outubro de 1922, contribuiu para a preservação da memória nacional e consolidou o papel da história como elemento fundamental da identidade brasileira.[4]

Referências

  1. Motta, Marly Silva da (1992). «A nação faz cem anos: o Centenário da Independência no Rio de Janeiro». CPDOC. CPDOC: 5-9. Consultado em 29 mar. 2025 
  2. Motta, Marly (24 de junho de 2022). «A questão nacional no Centenário da Independência: uma nação em busca da modernidade». Revista USP (133): 63–76. ISSN 2316-9036. doi:10.11606/issn.2316-9036.i133p63-76. Consultado em 30 de março de 2025 
  3. Nascimento, Evando Batista (29 de dezembro de 2015). «A Semana de Arte Moderna de 1922 e o Modernismo brasileiro: atualização cultural e "primitivismo" artístico». Gragoatá (39). ISSN 2358-4114. doi:10.22409/gragoata.v20i39.33354. Consultado em 30 de março de 2025 
  4. Nizio, Thomas (18 de setembro de 2023). «Sem paletó e sapato não entra no museu». Café História. Consultado em 29 mar. 2025