Cânion Guartelá
| |
---|---|
Cânion Guartelá e Rio Iapó na sua base. | |
Localização | Tibagi, Paraná |
Dados | |
Criação | Período Mesozóico |
Coordenadas | |
Localização no Paraná |
Cânion Guartelá é um cânion brasileiro situado no planalto dos Campos Gerais, entre os municípios de Castro e Tibagi, no Paraná. É considerado o sexto maior cânion do mundo em extensão e o mais longo do Brasil.
O Cânion do Guartelá é uma garganta retilínea com cerca de 30 km de extensão e desnível máximo de 450 metros. Foi escavado pelo Rio Iapó, que pelo cânion consegue atravessar a Escarpa Devoniana, paredão que separa o Primeiro do Segundo Planalto Paranaense.[1] Em 1992 foi criado o Parque Estadual do Guartelá com o objetivo de assegurar a preservação do mesmo.[2]
O cânion
[editar | editar código fonte]Dentro do cânion Guartelá está o Parque Estadual do Guartelá, criado em 1992. Formado por um ecossistema extremamente rico e inúmeras atrações naturais. São várias quedas d'água, corredeiras, formações areníticas, vales profundos e inscrições rupestres, que podem ser conhecidas através de várias trilhas em meio à flora e fauna muito diversificada.
Por lá são encontradas espécies de plantas que normalmente são vistas em lugares completamente distintos: samambaias e xaxins típicos da Mata Atlântica; cactos só encontrados na caatinga; imbuias e cambuís, que formam a vegetação de banhados. Há ainda uma grande quantidade de araucárias, copaíbas, ipês-amarelos, erva-mate, bromélias, orquídeas, palmeiras, barbas-de-bode, entre outras tantas espécies.
Quanto à rica fauna da região, destacam-se mamíferos como tamanduás-mirins, bugios, tatus, capivaras e até o lobo-guará e a suçuarana, ameaçados de extinção. Entre as aves, os destaques são a curucaca, falcão quiriquiri, pica-pau-do-campo, tirivas, codornas, perdiz e jacu.
A beleza e a diversidade da região têm atraído cada vez mais visitantes para o local. Além das várias caminhadas, pode-se praticar também o rafting nos rios Tibaji e Iapó e o rapel em cachoeiras dessa região.
O Cânion Guartelá foi classificado como um dos sítios geológicos brasileiros, pela SIGEP, graças ao impressionante exemplo de cânion que corta os arenitos devonianos da Bacia do Paraná.[1]
Localização
[editar | editar código fonte]O Cânion se situa entre os municípios de Castro e Tibagi, a aproximadamente 203 km a noroeste de Curitiba, na parte Centro-Leste do Paraná.
Geologia
[editar | editar código fonte]O Cânion Guartelá está localizado no Segundo Planalto Paranaense, integrado à Bacia do Paraná, uma das maiores bacias sedimentares do mundo, que se desenvolveu sobre o embasamento cristalino do Cráton Brasileiro.[3]
Litologia e Estratigrafia
[editar | editar código fonte]As rochas expostas no cânion são predominantemente sedimentares, pertencentes à Formação Furnas, datada do Devoniano Inferior a Médio (cerca de 400 a 360 milhões de anos). Essa formação é composta por arenitos quartzosos de granulação média a fina, intercalados com pelitos e conglomerados, depositados em ambientes fluviais de planície aluvial e sistemas de canais de baixa energia.[4]
A sedimentação da Formação Furnas ocorreu em um contexto de subsidência e acomodação regional, favorecido pela tectônica ativa da época, ligada à formação da Pangeia e ao processo de soerguimento do Cráton Sul-Americano.
Além dos sedimentos, a região preserva rochas vulcânicas pertencentes ao Grupo Castro (Ordoviciano), que formam o embasamento da Bacia do Paraná na região do Cânion Guartelá, compreendendo especialmente riolitos e andesitos que ocorrem no leito do Rio Iapó. As rochas mais recentes são pertencentes à Formação Serra Geral (Jurássico Superior a Cretáceo Inferior) que ocorrem como diques, principalmente de diabásio, mas também de microdiorito, quartzo- microdiorito e microdiorito pórfiro.[1] Estes eventos vulcânicos são responsáveis pela variação litológica na área e influenciam a resistência diferencial das rochas, fator determinante para a morfologia acentuada do cânion.[5]
Estrutura tectônica e soerguimento
[editar | editar código fonte]O cânion está associado à Escarpa Devoniana, uma estrutura tectônica expressiva que marca o limite entre o Primeiro e o Segundo Planalto Paranaense. Esta escarpa é resultado de um soerguimento diferencial, causado por falhamentos normais que reativaram zonas de fraqueza no embasamento, promovendo desníveis significativos no relevo.[6]
A atividade tectônica também gerou um sistema de falhas e fraturas que influenciam a trajetória do Rio Iapó, canalizando seu curso e contribuindo para a erosão vertical acentuada que originou o cânion.[7]
Processos erosivos e geomorfologia
[editar | editar código fonte]A formação do cânion é fruto da interação entre processos tectônicos e erosivos ao longo de dezenas de milhões de anos. A erosão fluvial do Rio Iapó, em conjunto com processos de intemperismo físico-químico, desagregação mecânica e transporte sedimentar, escavou profundamente os arenitos da Formação Furnas.[8]
A ação do clima subtropical úmido, com períodos de chuva concentrada e temperaturas médias amenas, favorece a ocorrência de processos como solifluxão e ravinamento, que ampliam as fendas e contribuem para a evolução do relevo.
O cânion apresenta paredes íngremes que atingem até 450 metros de altura, com vertentes estruturadas em camadas sedimentares alternadas, criando formações rochosas características como paredões, torres e cachoeiras.
Destacam-se no relevo características geomorfológicas típicas de zonas de escarpa, como:
- Vertentes com declividades acima de 60°;
- Presença de bancos e degraus litológicos;
- Formação de piscinas naturais (panelões) em função da erosão diferencial.
Paleogeografia e contexto regional
[editar | editar código fonte]No contexto paleogeográfico, a área do Cânion Guartelá fazia parte da margem continental do supercontinente Gondwana durante o Paleozoico, quando foram depositadas as camadas sedimentares da Formação Furnas em ambientes fluviais e lacustres.[9]
Posteriormente, durante a formação da Bacia do Paraná, houve o desenvolvimento de atividades magmáticas e vulcânicas que alteraram localmente a geologia da região, influenciando a geomorfologia atual.
A evolução tectônica posterior, com o soerguimento da Escarpa Devoniana, expôs essas formações sedimentares, permitindo a ação erosiva do Rio Iapó que, ao longo do Quaternário, modelou o cânion.
Importância geológica
[editar | editar código fonte]O Cânion Guartelá representa um importante laboratório natural para estudos de geomorfologia, processos erosivos e tectônica de bacias sedimentares. A análise das camadas sedimentares, estruturas tectônicas e morfologia do cânion contribui para a compreensão da evolução geológica do Planalto Paranaense e da Bacia do Paraná.
Além disso, sua conservação é fundamental para a preservação do patrimônio geológico do Brasil, com potencial para estudos paleoclimáticos e paleobiológicos devido à exposição de níveis estratigráficos fossilíferos.
Galeria
[editar | editar código fonte]-
Afloramentos rochosos com fragmentos de campos nativos típicos no cânion.
-
Planalto dos campos gerais na localidade Guartelá.
-
Vista das formações rochosas e vegetacionais no cânion .
-
Vista panorâmica do Guartelá.
-
Paisagem típica na localidade Guartelá.
Ver também
[editar | editar código fonte]Referências
- ↑ a b c Melo,M.S. (2002). «Canyon do Guartelá, PR - Profunda garganta fluvial com notáveis exposições de arenitos devonianos» (PDF). Sítios Geológicos e Paleontológicos do Brasil 094. Consultado em 15 de novembro de 2011
- ↑ Prefeitura Municipal de Tibagi (2013). «Parque Estadual do Guartelá». Site da prefeitura. Consultado em 20 de dezembro de 2014. Arquivado do original em 3 de março de 2016
- ↑ Milani, E. J. et al. (2007). "Bacia do Paraná: Geologia, Estratigrafia e Evolução Tectônica". Boletim de Geociências da Petrobras.
- ↑ CPRM. (2015). "Mapa Geológico do Estado do Paraná". Serviço Geológico do Brasil.
- ↑ Milani, E. J., et al. (2007). "Bacia do Paraná".
- ↑ Almeida, F. F. M., et al. (2004). "Estrutura e evolução tectônica do escudo brasileiro". Revista Brasileira de Geociências.
- ↑ CPRM, 2015.
- ↑ IBGE (2012). "Atlas Nacional do Brasil: Geomorfologia e Geologia".
- ↑ Milani et al., 2007.
Ligações externas
[editar | editar código fonte]![]() |
A Wikipédia tem o portal: |