WikiMini

Cânion Guartelá

Cânion Guartelá
Cânion Guartelá
Cânion Guartelá e Rio Iapó na sua base.
Localização Tibagi, Paraná
Dados
Criação Período Mesozóico
Coordenadas 24° 32' 58" S 50° 16' 10" O
Cânion Guartelá está localizado em: Paraná
Cânion Guartelá
Localização no Paraná

Cânion Guartelá é um cânion brasileiro situado no planalto dos Campos Gerais, entre os municípios de Castro e Tibagi, no Paraná. É considerado o sexto maior cânion do mundo em extensão e o mais longo do Brasil.

O Cânion do Guartelá é uma garganta retilínea com cerca de 30 km de extensão e desnível máximo de 450 metros. Foi escavado pelo Rio Iapó, que pelo cânion consegue atravessar a Escarpa Devoniana, paredão que separa o Primeiro do Segundo Planalto Paranaense.[1] Em 1992 foi criado o Parque Estadual do Guartelá com o objetivo de assegurar a preservação do mesmo.[2]

Dentro do cânion Guartelá está o Parque Estadual do Guartelá, criado em 1992. Formado por um ecossistema extremamente rico e inúmeras atrações naturais. São várias quedas d'água, corredeiras, formações areníticas, vales profundos e inscrições rupestres, que podem ser conhecidas através de várias trilhas em meio à flora e fauna muito diversificada.

Por lá são encontradas espécies de plantas que normalmente são vistas em lugares completamente distintos: samambaias e xaxins típicos da Mata Atlântica; cactos só encontrados na caatinga; imbuias e cambuís, que formam a vegetação de banhados. Há ainda uma grande quantidade de araucárias, copaíbas, ipês-amarelos, erva-mate, bromélias, orquídeas, palmeiras, barbas-de-bode, entre outras tantas espécies.

Quanto à rica fauna da região, destacam-se mamíferos como tamanduás-mirins, bugios, tatus, capivaras e até o lobo-guará e a suçuarana, ameaçados de extinção. Entre as aves, os destaques são a curucaca, falcão quiriquiri, pica-pau-do-campo, tirivas, codornas, perdiz e jacu.

A beleza e a diversidade da região têm atraído cada vez mais visitantes para o local. Além das várias caminhadas, pode-se praticar também o rafting nos rios Tibaji e Iapó e o rapel em cachoeiras dessa região.

O Cânion Guartelá foi classificado como um dos sítios geológicos brasileiros, pela SIGEP, graças ao impressionante exemplo de cânion que corta os arenitos devonianos da Bacia do Paraná.[1]

Localização

[editar | editar código fonte]

O Cânion se situa entre os municípios de Castro e Tibagi, a aproximadamente 203 km a noroeste de Curitiba, na parte Centro-Leste do Paraná.

O Cânion Guartelá está localizado no Segundo Planalto Paranaense, integrado à Bacia do Paraná, uma das maiores bacias sedimentares do mundo, que se desenvolveu sobre o embasamento cristalino do Cráton Brasileiro.[3]

Litologia e Estratigrafia

[editar | editar código fonte]

As rochas expostas no cânion são predominantemente sedimentares, pertencentes à Formação Furnas, datada do Devoniano Inferior a Médio (cerca de 400 a 360 milhões de anos). Essa formação é composta por arenitos quartzosos de granulação média a fina, intercalados com pelitos e conglomerados, depositados em ambientes fluviais de planície aluvial e sistemas de canais de baixa energia.[4]

A sedimentação da Formação Furnas ocorreu em um contexto de subsidência e acomodação regional, favorecido pela tectônica ativa da época, ligada à formação da Pangeia e ao processo de soerguimento do Cráton Sul-Americano.

Além dos sedimentos, a região preserva rochas vulcânicas pertencentes ao Grupo Castro (Ordoviciano), que formam o embasamento da Bacia do Paraná na região do Cânion Guartelá, compreendendo especialmente riolitos e andesitos que ocorrem no leito do Rio Iapó. As rochas mais recentes são pertencentes à Formação Serra Geral (Jurássico Superior a Cretáceo Inferior) que ocorrem como diques, principalmente de diabásio, mas também de microdiorito, quartzo- microdiorito e microdiorito pórfiro.[1] Estes eventos vulcânicos são responsáveis pela variação litológica na área e influenciam a resistência diferencial das rochas, fator determinante para a morfologia acentuada do cânion.[5]

Estrutura tectônica e soerguimento

[editar | editar código fonte]

O cânion está associado à Escarpa Devoniana, uma estrutura tectônica expressiva que marca o limite entre o Primeiro e o Segundo Planalto Paranaense. Esta escarpa é resultado de um soerguimento diferencial, causado por falhamentos normais que reativaram zonas de fraqueza no embasamento, promovendo desníveis significativos no relevo.[6]

A atividade tectônica também gerou um sistema de falhas e fraturas que influenciam a trajetória do Rio Iapó, canalizando seu curso e contribuindo para a erosão vertical acentuada que originou o cânion.[7]

Processos erosivos e geomorfologia

[editar | editar código fonte]

A formação do cânion é fruto da interação entre processos tectônicos e erosivos ao longo de dezenas de milhões de anos. A erosão fluvial do Rio Iapó, em conjunto com processos de intemperismo físico-químico, desagregação mecânica e transporte sedimentar, escavou profundamente os arenitos da Formação Furnas.[8]

A ação do clima subtropical úmido, com períodos de chuva concentrada e temperaturas médias amenas, favorece a ocorrência de processos como solifluxão e ravinamento, que ampliam as fendas e contribuem para a evolução do relevo.

O cânion apresenta paredes íngremes que atingem até 450 metros de altura, com vertentes estruturadas em camadas sedimentares alternadas, criando formações rochosas características como paredões, torres e cachoeiras.

Destacam-se no relevo características geomorfológicas típicas de zonas de escarpa, como:

  • Vertentes com declividades acima de 60°;
  • Presença de bancos e degraus litológicos;
  • Formação de piscinas naturais (panelões) em função da erosão diferencial.

Paleogeografia e contexto regional

[editar | editar código fonte]

No contexto paleogeográfico, a área do Cânion Guartelá fazia parte da margem continental do supercontinente Gondwana durante o Paleozoico, quando foram depositadas as camadas sedimentares da Formação Furnas em ambientes fluviais e lacustres.[9]

Posteriormente, durante a formação da Bacia do Paraná, houve o desenvolvimento de atividades magmáticas e vulcânicas que alteraram localmente a geologia da região, influenciando a geomorfologia atual.

A evolução tectônica posterior, com o soerguimento da Escarpa Devoniana, expôs essas formações sedimentares, permitindo a ação erosiva do Rio Iapó que, ao longo do Quaternário, modelou o cânion.

Importância geológica

[editar | editar código fonte]

O Cânion Guartelá representa um importante laboratório natural para estudos de geomorfologia, processos erosivos e tectônica de bacias sedimentares. A análise das camadas sedimentares, estruturas tectônicas e morfologia do cânion contribui para a compreensão da evolução geológica do Planalto Paranaense e da Bacia do Paraná.

Além disso, sua conservação é fundamental para a preservação do patrimônio geológico do Brasil, com potencial para estudos paleoclimáticos e paleobiológicos devido à exposição de níveis estratigráficos fossilíferos.

Referências

  1. a b c Melo,M.S. (2002). «Canyon do Guartelá, PR - Profunda garganta fluvial com notáveis exposições de arenitos devonianos» (PDF). Sítios Geológicos e Paleontológicos do Brasil 094. Consultado em 15 de novembro de 2011 
  2. Prefeitura Municipal de Tibagi (2013). «Parque Estadual do Guartelá». Site da prefeitura. Consultado em 20 de dezembro de 2014. Arquivado do original em 3 de março de 2016 
  3. Milani, E. J. et al. (2007). "Bacia do Paraná: Geologia, Estratigrafia e Evolução Tectônica". Boletim de Geociências da Petrobras.
  4. CPRM. (2015). "Mapa Geológico do Estado do Paraná". Serviço Geológico do Brasil.
  5. Milani, E. J., et al. (2007). "Bacia do Paraná".
  6. Almeida, F. F. M., et al. (2004). "Estrutura e evolução tectônica do escudo brasileiro". Revista Brasileira de Geociências.
  7. CPRM, 2015.
  8. IBGE (2012). "Atlas Nacional do Brasil: Geomorfologia e Geologia".
  9. Milani et al., 2007.

Ligações externas

[editar | editar código fonte]
Portal A Wikipédia tem o portal: